DEUS PLENITUDE

Sinai

No fundo do deserto do Sinai está Moisés pastoreando o rebanho, quando de súbito vê um arbusto arder em chamas sem se consumir. Moisés acorre para observar de perto esse fenômeno insólito. Então, voz misteriosa faz-se ouvir: “Tira as sandálias de teus pés porque estás em lugar sagrado”.

Nós também queremos penetrar nessa terra santa,nesse chão sagrado, procurando saber, e não só adivinhar e vislumbrar: Quem é Deus?

Que ele existe, este Ser supremo, o mundo que nos rodeia, o firmamento das estrelas sobre nossa cabeças, a voz secreta do nosso coração todos eles nos dizem, nos garantem que ele existe. E o mistério de sua natureza nos atrai. Moisés pediu a Deus que lhe dissesse seu nome.

Mas, como enunciar o que é inefável? Deus respondeu:“Meu nome é Javé. Eu existo, Eu sou aquele que existe”.

Resposta enigmática e todavia reveladora. Deus é o único ser que existe de verdade, existe por si próprio. Todos os demais, todo o universo, todos nós só existimos por doação.

“Acontece” que existimos. A existência foi-nos dada de presente. Presente este que precisa ser renovado sem cessar, momento por momento. Como a sombra não existe sem a luz do sol. Deus existe por si, por essência, por necessidade. Existir é natureza sua. As criaturas começam a existir. Deus existe sempre, sem começo e sem fim. Como disse Jesus a Sta. Catarina de Sena: “Tu és aquela que não é; Eu sou aquele que é”.

Uma vez que Moisés já sabia o nome de Deus, o menos inadequado, ele pede e insiste para ver a sua face.

Pedido impossível. Numa casca de noz não cabem as águas do oceano. E a todas as súplicas de Moisés Deus enfim responde: “Verás minha sombra quando eu passar diante da gruta” (Ex. 33,22). E saindo desta visão, o rosto de Moisés tornou-se luminoso como o sol, e o povo de Israel não pôde suportar esta luz ofuscante (Ex. 34,29).

Séculos depois, o profeta Elias retornou ao Sinai, na esperança secreta de receber a mesma visão da “sombra” de Deus (3 Rs 19,11). E Deus mostrou-lhe figuras, símbolos do seu Ser: um vendaval, um terremoto, fogo, e cada vez adverte a visão: isso não é Deus. E surge o último símbolo, que parece querer ser o mais significativo: um zéfiro suave, brisa do Éden celeste. Mas tudo é figura.

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