Amor divinoE este amor, por sua vez, não é um produto do nosso coração, um afeto. Este afeto, chamado amor, tão decantado e desencantado pela psicanálise, não tem valor no regime sobrenatural em que nos encontramos pela Encarnação do Verbo. Esse amor de Deus, para valer algo na ordem nova, deve ser uma participação do amor com que Deus se ama a si próprio. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). O que a mística no conta da vida dos santos, sobre a troca dos corações com Jesus, corresponde a uma realidade sobrenatural objetiva, embora envolta em simbolismo antropomorfo, chamejante, antecipando a futura glória.

OraçãoO que foi dito vale também para a oração. Toda ela, não apenas a litúrgica, é dom de Deus. É o Espírito Santo que reza no coração dos fiéis (Rm 8,26).

 O mesmo vale para as virtudes. Nossas boas obras são dons de Deus, não são resultado de mero esforço humano. Ouça Ef 2,10. A salvação “não é merecimento nosso; é dom de Deus. Não é devida às obras. Pois somos criaturas dele, destinadas em Cristo Jesus para as obras que Deus preparou de antemão”.

Virtudes

“Toda nossa vida moral deve ser fruto da árvore divina que é Cristo” (VONIER, Nova e eterna Aliança, 189).

Deve ser uva da videira divina.

“Toda a perfeição moral, no cristianismo, consiste na perfeita união do homem com Deus e em Deus com seu próximo. Realizada esta, atingiu a perfeição… Ao invés, mesmo cumprindo com todos os deveres, mas negligenciando o amor de Deus vive uma vida inútil, estéril” (VONIER, 107).

As boas ações, insignificantes, da nossa vida cotidiana, são operações do corpo místico de Cristo. Devem ser feitas em união com Cristo, i.é., por motivação sobrenatural, por amor de Deus. Santidade cristã é, portanto, união com Cristo em grau intenso ou graça santificante “intensa”. Os dois conceitos são idênticos. Nosso destino, portanto, é crescer, sempre mais Cristo adentro. É estreitar sempre mais a união com Jesus. E assimilar a vida divina do Filho de Deus, numa semelhança sempre mais perfeita, até a identificação, até à plena fusão.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting

 

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