ONDE?

 

ONDE?

Conta um antigo escritor que certo homem quis vender seu belo e luxuoso palácio. Arrancou uma pedra dos muros, exibindo-a aos companheiros como amostra de propaganda. Risadas e caçoadas.

Em situação semelhante encontra-se quem tenta descrever o céu. São Paulo sente-se na mesma situação e diz: “Quando eu era criança, falava como criança; pensava como criança; julgava como criança” (1Cor 13,11).

 

Perante a eternidade somos como crianças. Porque o céu, nossa morada celeste, tem as dimensões de Deus, que ultrapassam de longe as miniaturas terrestres.

Onde está o céu? A primeira pergunta da criança. Todos os dias rezamos: “Pai Nosso que estais no céu”. Como? Jesus também pensava de um modo tão anticientífico, supondo Deus residir em algum lugar entre as estrelas?

E acontece que o céu acima de nossa cabeça é um de dia e é outro de noite, já que a terra gira ao redor de si.

 

Já o salmista do A.T. sabe a resposta (SI 138,7): “Aonde irei para fugir do teu espírito? Se subo ao céu, tu lá estás. Se desço para o abismo: lá te encontro. Se tomo vôo ao raiar da aurora e pouso no último limite do mar… até lá se estende teu braço”.

 O céu é Deus, e Deus está em toda parte. E diz Jesus mais uma palavra de consolo e alegria: “Quem me ama, guarda minhas palavras e meu Pai o amará. E viremos a ele e faremos nele nossa habitação” (Jo 14,23).

 O céu está dentro de nós.

 

Mesmo sabendo isto, Jesus gostava de rezar debaixo do céu estrelado. E por que razão insistir: “Deus Pai do céu?”…

Para nos inculcar esta verdade tão simples e tão esquecida, que o mundo ao nosso redor, por grande, por forte, por bonito que seja, não é Deus. Deus está acima de tudo isto… Mais alto… Foi também a fim de nos lembrar sempre que a nossa pátria é o céu.

No além, onde mora o Pai. Lá está nosso lugar. Jesus mesmo nos manda rezar todos os dias ao Pai do céu. Manda juntarmos tesouros no céu.

Garante que nosso nome está escrito no céu e que ninguém nos roubará a felicidade.

“Vinde, benditos de meu Pai, e possui o reino que vos está preparado desde o principio do mundo” (Mt 25,34).

 

Mas onde está este céu? Resposta: está onde está Deus. Céu é vida de união com Deus. Céu é também vida de comunidade de todos os anjos e bem-aventurados.

E, ao menos após o juízo final, após a ressurreição dos corpos, esta comunidade – parece – estará em lugar corporal.

 

Penso que a terra será pequena demais para caberem todos. Diz a Escritura que haverá um novo céu e uma nova terra (2Pd 3,10; Ap 21,1).

Mais, não sabemos.

 

E como será o céu? Outra pergunta infantil dos seres humanos. E mais infantil ainda se imaginarmos algo como paisagem romântica, parques de fantasia… Tudo fantasia. A realidade será outra. E por sinal bem melhor.

 

“Olho humano jamais viu, nem ouvido humano jamais ouviu, nem coração humano jamais sentiu o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).

 

Nosso corpo (após a ressurreição universal) será glorioso. Será o mesmo que conosco sofreu para conquistar o céu. Mas será transformado. Será, em certo sentido, espiritualizado, à semelhança do corpo glorioso de Cristo ressuscitado.

Não se transformará num ser espiritual.

 

Continuará sendo matéria e corpo humano. Mas participará da glória divina, que transborda da alma beata.

 

“Semeia-se um corpo material e ressuscita um corpo espiritual.

 

Se há um corpo material, há também corpo espiritual” (1Cor 15,43.44).

Teologia das Realidades Celestes

 

 

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