1. APOSTOLADO

 

Tomamos a palavra apostolado no seu atual significado (e usado no Vaticano II) de tarefa apostólica, imitação da tarefa dos apóstolos de Cristo, isto é, da transmissão da Palavra, Ação Católica, Ação Missionária e termos equivalentes.

Apostolado no sentido de imitação da vida ascética dos apóstolos, de pobreza, de castidade e oração (EUSÉBIO, História Eclesiástica) era termo usado até a chegada dos mendicantes. Estes professaram viver a vida pública de Jesus.

Este sentido prevaleceu; apostolado é pregação e ação pastoral pela difusão do reino de Deus.

 

Distingue-se: apostolado externo e apostolado interno.

 

O apostolado interno pode ser apostolado do amor (ou santidade), apostolado da oração e apostolado do sofrimento.

 

O apostolado interno tem atuação indireta. Por isto, apostolado propriamente dito, costuma chamar-se ao apostolado externo, ou ao apostolado de ação.

O apostolado externo, ou de ação, atua de um modo direto na transmissão da mensagem. Praticamente tudo se reduz ao apostolado da palavra: vivido (bom exemplo, testemunho), falado ou escrito.

È graça externa (Truhlar), no conjunto da providência divina, seja natural, seja sobrenatural.

 

Vida apostólica é missão divina. É carisma que atinge seu máximo quando o apóstolo oferece também a graça interna que move o coração humano. Principalmente se sua mão, que oferece a graça de Deus, está marcada pela chaga de Cristo, como no caso do Padre Felipe Jeningen, jesuíta setecentista, ou de Frei Pio, o capuchinho de S. Giovanni Rotondo.

 

Eficácia do apostolado da palavra: Três opiniões:

 

a) Eficácia ocasional.

O apostolado externo é a ocasião

propicia (kairós) para a graça interna entrar em contato com a alma. Somente a graça interna é salvífica.

A palavra apostólica é externa, oferecendo o terreno para a ação salutar. É a opinião tradicional de São Boaventura e de Sto. Tomás; entre os modernos: Congar, OP. “O Espírito Santo usa da língua do homem (pregador) como de um instrumento; mas Ele é que perfaz a ação internamente” (Tomás, II II 177,1).

 

b) Eficácia sacramental.

O anúncio, a homilia, o sermão,

são “sacramentos” (Rahner, Semmelroth, Schurr).

 

Esta teoria aprofunda o conceito de instrumentalidade.

 

Compete à Palavra apostólica uma real casualidade salvífica que se podia chamar quase, sacramental.

 

O anúncio salvífico, em sermão ou homilia, tende à plena realização no sacramento. É um sacramento de salvação sob uma forma inicial (incoativa). Portanto, dispõe de eficiência salutar inicial. A completa e total, compete de um modo perfeito ao sacramento.

 

c) Eficácia mística.

Mes, CMF, recusa a causalidade

ocasional e a causalidade moral (psicológica) como insuficientes.

 

Mas o autor não se explica sobre o termo místico.

 

Talvez possamos recordar que toda palavra apostólica do cristão é prolongamento do Cristo místico, na proporção em que o cristão atua como membro deste organismo salvífico.

Ou, pode-se considerar todo o apostolado como atuação da Igreja, o grande sacramento salvífico. É a palavra-testemunho a agir como um sacramental.

Teologia das Realidades Celestes

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