CAMINHANDO COM JESUS

“A transformação do mundo em uma comunidade fraterna de amor, justiça e paz é tarefa vossa (dos religiosos monges)… e como desempenhar-se dela, se falta esse gosto do Absoluto, que é fruto de certa experiência de Deus?” (Paulo VI na Evang. Testif. nº. 52, cf. 34).

Encerrado no estreito horizonte do momento que passa, o homem de hoje não sabe mais ver sua existência à luz de Deus.

O comerciante, o industrial avaliam tudo à base do dinheiro. A jovem dificilmente se eleva acima dos seus vestidos e da moda. Um “milagre” seria a mãe de família descobrir que seu filhinho tem uma alma e não só um corpo. Um véu espesso, um smog espiritual rouba aos homens o sentido divino das coisas.

Certa amiga aconselha a outra a leitura da vida de Cristo, de Papini, e começa a contar episódios e passagens do livro. “Não conte nada , interrompe a outra pois,se souber como termina, perco o interesse!”…

Eis como voamos por cima das realidades como borboletas, guiados por ilusões. E isso é fatal um vez que Cristo é o Primeiro e o Último o último capítulo da história humana e da nossa em particular também! Os grandes da história humana passaram todos. Mas Cristo “é de ontem,de hoje de toda a eternidade” (Hb 13,8). Ele foi posto “como ruína e salvação” (Lc 2, 34). A cada um cabe escolher.

Ele sobreviverá a todos e sem ele, “o mundo é como um relógio sem números. Gira, anda dia e noite, mas ninguém sabe para onde e para que” (Langbehn).

O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, orienta-nos:

“Confessamos que o Reino de Deus, iniciado aqui na terra, na Igreja, não é deste mundo, cuja imagem passa. Seu crescimento não pode ser confundido com o progresso da civilização e da ciência ou da técnica humanas mas consiste em conhecer sempre mais profundamente as insondáveis riquezas de Cristo; em esperar sempre mais ardentemente os bens eternos; em responder sempre mais decididamente ao amor de Deus; em distribuir sempre mais largamente a graça e a santidade entre os homens.

Mas é este mesmo amor que leva a Igreja a preocupar-se constantemente com o verdadeiro bem temporal dos homens. Não cessando de recordar aos seus filhos que eles não possuem aqui na terra morada permanente,com insistência os incita a contribuírem, cada um segundo a sua vocação e os seus meios, para o bem da cidade terrestre, e promoverem a justiça e a fraternidade entre os homens…

A grande solicitude da Igreja pelas necessidades dos homens… não é senão a expressão de seu ardente desejo de lhes dar sua presença para iluminá-los com a luz de Cristo e reuni-los todos nele, seu único Salvador.

Tal solicitude não significa absolutamente que a Igreja se conforme com as realidades deste mundo ou que ela perca o ardor da expectativa do seu Senhor e de seu Reino eterno” (Paulo VI 30-06-1966).

A mensagem de Natal de 25-12-1973, dedica-se ao mesmo tema: “Muitos hoje em dia substituem a teologia pela antropologia. Vêem no Cristianismo um valor humano aceitável por todos; não vêem a verdade divina… O ponto estratégico das discussões ideológicas é o humanismo, que se transformou numa utopia cósmica, que faz do homem o “deus” do homem e que, numa vertigem do pensamento, faz do homem a causa absoluta de si próprio…

Diferente é o humanismo que celebramos com o Natal de Cristo pois apresenta uma outra concepção do homem”.

Extraído do livro: Teologia das Realidades Celestes, do Padre João Beting  CSsR