Seriado Adão-Eva

Ora, o plano natural, desde o início, i. é., ao menos para os descendentes de Adão e Eva, foi subordinado a um destino superior. Talvez o homem pré-histórico, do qual sobraram alguns ossos, tivesse só um destino natural:o trabalho no cultivo da terra e, após a morte, uma felicidade natural em algum paraíso terrestre, felicidade proporcional a um ser composto de corpo e espírito.

Conosco, série Adão-Eva, Deus criador teve projetos superiores. Para nós, adamitas, a terra é passagem, trampolim para um paraíso celeste.

Sabemos pela Revelação que não só a alma, mas também o corpo terá parte nessa vida sobrenatural. Naturalmente, a seu modo, glorificado, espiritualizado, mas sempre realmente corpóreo.

A propósito, uma palavra de Sta. Teresa (Vida 28):“Só digo que outra coisa não houvesse para deleitar a vista no céu senão a formosura dos corpos glorificados,seria grandíssima glória, em especial a humanidade de Nosso Senhor”. E Teresa viu só o vídeo-tape!

Consolem-se, pois! O burrinho de São Francisco,nossa pobre besta de carga cá na terra, a labutar de sol a sol, também vai entrar no céu e sem as orelhas compridas!…

 

Terra nova

Sendo assim, é provável, ou possível que, a terra (ou outro planeta mais espaçoso), após a ressurreição final dos corpos, se torne o novo lar da nova humanidade.

De que maneira, porém, e em que grau, está totalmente fora de nosso conhecimento. Qualquer sugestão é pura fantasia. 2 Pedro 3,7-14 fala de céu novo e de terra nova.

Mas ignoramos quanto há nisso de sentido literal, quanto de metáfora.

Certamente é uma idéia pernóstica a de um contemporâneo up-to-date, a de que também no céu todo mundo terá de cumprir sua quota diária de trabalho corporal, como “hobby” ou passatempo depois do café da manhã, p.ex. trabalhando uma hora na jardinagem, cultivando rabanetes ou podando roseiras… ao gosto de cada um. Um absurdo! No céu, com visão direta de Deus, creio que teremos ocupações mais atraentes do que a de cultivar flores, ouvir discos, pescar ou, jogar uma partida de futebol!

O Limbo

De que modo aquela parte da humanidade, que perdeu a visão beatífica sem culpa pessoal, vai passar a eternidade não pode estar entregue à fantasia de um Júlio  Verne ou de um Orson Wells. Estou me referindo aos milhões de crianças mortas sem batismo É provável que sejam iguais, em número, aos habitantes do céu, pois parece que, mesmo sem crime, chegam a morrer antes do parto tantas quantas nascem. E, atualmente, o assassínio dos inocentes tornou-se um negócio de milhões!…

Extraído do livro Teologia das Realidades Celestes, do Padre João Beting CSsR

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