Vaticano I

Resume tudo o Concílio Vaticano I: “Deus, em sua bondade… não para aumentar sua felicidade, nem para adquiri-la, mas para revelar sua perfeição pelos bens que comunica às criaturas, criou do nada o mundo, tanto espiritual como corporal!”.

 1. De tudo quanto existe, Deus é fim supremo

 Ap 22,13: “Eu sou o alfa e o ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim”. Rm 11,36: “Dele e por ele e para ele são todas as coisas. A ela, a glória pelos séculos”. Cl 1,16: “porque nele foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, visíveis e invisíveis, tronos e dominações,principados e potestades, tudo foi criado por ele e para ele”. Hb 2,10: “Por quem e para quem existe o universo”. 1Cor. 8,6: “Deus Pai, do qual provêm todas as coisas e para o qual fomos criados… e Jesus Cristo por quem tudo existe e por ele também nós”. 1Cor. 15,28: “Quando tudo estiver sujeito (a Deus), então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe sujeitou: para que Deus seja tudo em todas as coisas”.

2. Deus criou sem precisar de nada, por pura liberalidade.

Em linguagem pitoresca, quase brutal, constata o profeta do A.T.:Jó 22,3: “Que adianta a Deus se tu és homem honesto? Qual a vantagem para ele se tu levas uma vida correta?”Isaías 1,10: “Para que me trazer inúmeras vítimas? Estou farto (Tenho tudo quanto quero, com fartura).

 

Jesus descreve a situação da criatura perante Deus (Lc. 17,10): “Tendo cumprido tudo, dizei: somos servos inúteis; fizemos o que era de nossa obrigação”. Paulo declara perante os sábios do mundo antigo, no areópago de Atenas (Atos 17,25): “Deus, que fez o mundo e tudo quanto nele existe, é o Senhor do céu e da terra. Ele não habita em templo fabricado por mãos humanas,nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa houvesse precisão, pois é ele que dá a todos a vida, a respiração e tudo mais”.

3.Deus cria para dar

O livro da Sabedoria (11,23) descreve num texto sugestivo,repassado de afeto, a situação existencial da criatura perante Deus: “O universo todo diante de ti é como um grão de pó na balança, como uma gota de orvalho matinal… Tu tens compaixão de todos pois, és todopoderoso.

Fechas os olhos aos pecados humanos quando eles se arrependem. Sim, tu amas a todos os seres que existem, e não aborreces nenhuma de tuas criaturas…

Perdoas a todos porque são criaturas tuas, ó Senhor, amante das almas”.

4. Criatura — Imagem de Deus

As criaturas são reflexos de Deus: “speculum Dei”.

Através do mundo criado podemos ver Deus como num espelho. Espelho imperfeito, é verdade, mas um reflexo real da natureza divina. Por duas vezes afirma a Escritura e cognoscibilidade de Deus. Rm 1,19-24: “o que de Deus se pode saber, bem o conhecem eles (os homens) porque Deus lhes manifestou.

O que nele há de invisível, contempla-o a inteligência em suas obras desde a criação do mundo; seu poder eterno e sua divindade. Mas, embora conhecessem a Deus, não o glorificaram… Por isso Deus os abandonou à impureza e a ídolos falsos”.

Com finas pinceladas de uma miniatura tratou do problema da fé no criador e no destino humano.

Sabedoria 13,1-9: “Estultos todos os homens nos quais não se acha o conhecimento de Deus. Que pelos bens visíveis não chegaram a conhecer aquele que existe.

Nem mesmo considerando suas obras reconheceram seu criador. Tomaram por deuses, governadores do mundo,o fogo, o vento, o ar, o giro das estrelas, a água turbulenta ou os astros do céu. Se, encantados com a beleza dessas coisas, as julgaram deuses, deveriam entender quão mais formoso do que elas deveria ser seu dono, pois, foi o autor da formosura que criou tudo isso. Se eles se maravilharam de sua força e poder, deveriam também entender que quem as fez é mais forte, porque, pela grandeza e formosura das criaturas se percebe, por analogia, o seu autor. Não se lhes pode desculpar a ignorância,pois se tiveram tanta inteligência para investigar o universo cósmico, como não descobriram mais facilmente o seu senhor?”

5. Criatura é louvor de Deus

Sl 18,2: “Os céus cantam a glória de Deus e o firmamento proclama a obra de suas mãos”. Se a criatura irracional não se cansa de cantar o louvor do criador,quão mais eloqüentemente devem fazê-lo os racionais Sl 148,2.7.11.12 (o salmista repete incessantemente seus convites): “Louvai a Deus, ó Anjos… Bendizei a Deus, poderes do céu… Louvai-o vós, criaturas da terra… reis, príncipes e povos… jovens, velhos e crianças”. Uma enciclopédia e resumo de tudo isso é o canto dos três jovens na fornalha (Daniel 3).

6. Deus exige sua glória

Não dispensa o que é direito do ser absoluto. Isaías é dramático (48,11): “Por amor de mim, por amor de mim o farei… não cedo minha glória a outrem”.

7. Deus pede o amor da criatura

Mais do que nosso louvor Deus deseja o nosso amor. As páginas da Escritura no-lo dizem e repetem sem cessar. Dt 10,12: “E agora, ó Israel, o que Deus pede de ti é que temas o Senhor teu Deus; que andes nos seus caminhos e que o ames e o sirvas de todo o teu coração e de toda a tua alma… Para que sejas feliz… Deus é o dono do céu e da terra. Ele amou teus pais e te escolheu”.

São Paulo expressa o mesmo pensamento de maneira concreta e direta (1Cor. 10,31): “Quer comais, ou bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”.

 

Tradição

As palavras da Escritura encontram eco nos escritos dos antigos Padres. Algumas amostras características: Lactâncio: “O mundo foi feito para nascermos. Nascermos para reconhecer o criador do mundo e nosso Deus; reconhecemos para adorar; adoramos para receber a imortalidade. Recebemos o prêmio da imortalidade a fim de servir o Sumo Deus e pra sermos sempre o seu reino eterno”.

Agostinho: “Brada o céu para o céu: Tu me fizeste,não eu. Clama a terra: Tu me criaste, não eu”.

Jerônimo: “Deus exige louvor não por precisar do louvor de alguém mas porque o louvor aproveita aos louvadores”.

Extraído do livro Teologia das Realidades Celestes do Padre João beting CSsR

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