Javé

Deus é aquele que existe. Ele é o Alfa e o Ômega,(Ap 1,8). Começo e fim, Origem e Destino. Ele é a eternidade.

É de sua essência não ter nem começo nem fim.

“Aquele que existe, sempre existiu, sempre existira” (Ap 1,8).

Clareia amanhã. Fulge o sol… mais um dia. E chega o crepúsculo e a noite. Tudo passa. Dia por dia, começa um novo ano. Primavera, verão, outono, inverno, as figuras da existência humana. O jogo perpétuo das flores a florir e a perecer. Nada no mundo é perene. No fim, a alma está às portas da morte.

Deus, porém, é eterno. “Antes de se formarem a terra e o mundo, Tu és Deus, de eternidade em eternidade” (Sl 89,2). “Todos envelhecem como um vestido… Tu porém, existes sempre e teus anos são sem fim” (Sl 101,27).

“Antes que nascesse Abrão, eu sou, eu existo” (Jo 8,58).

Cesário, irmão de Gregório Nazianzeno, presenciara a destruição de Nicéia por um terremoto. Resolveu viver só para Deus: “Quero procurar uma casa que não caia em ruínas”.

 

Imenso

Infinito no tempo. Infinito no espaço. Collin, livre-pensador inglês, encontra um operário, conhecido e amigo,indo à Igreja. E deu-lhe a gana de caçoar: “Diga-me,amigo, teu Deus é grande ou pequeno?” “É tão grande que não cabe na tua cabeça, e tão pequeno que cabe em meu coração”.

O mesmo pensamento, em forma séria, transmitenos Newton, o sábio das estrelas: “Não sei o que o mundo pensa de mim. Mas a mim mesmo pareço uma criança brincando na praia do mar e alegrando-se quando encontra uma pedra mais lisa ou uma concha maior, enquanto todo o oceano da verdade continua inexplorado e ignoto”.

O universo estelar em que vivemos é uma vastidão sem fim. Viajando pelo espaço com a velocidade da luz a trezentos mil quilômetros por segundo, chegamos à lua num segundo (os foguetes atuais levam três dias); ultrapassamos o mais distante dos planetas em cinco horas; chegamos à estrela mais próxima em quatro anos (os foguetes atuais levariam uns cento e oitenta anos). A galáxia em que vivemos, a Via Láctea acolhe cem bilhões de estrelas, mede de ponta a ponta oitenta mil anos à velocidade da luz. Saindo do seu perímetro, navegamos dois milhões de anos-luz até a galáxia mais próxima, Andrômeda.

Estas galáxias, aglomerações de estrelas como enxames de abelhas, reúnem-se em agrupamentos. O nosso grupo consta de dezessete galáxias. O maior agrupamento,Hércules, abrange dez mil galáxias, e está à distância de trezentos milhões de anos-luz, sempre a viajar na velocidade da luz. Ao todo calcula-se haver pelo menos dez bilhões de galáxias, contendo cada uma não milhões, mas bilhões de estrelas.

E toda essa vastidão monstruosa cabe na mão de Deus, como diz o profeta Isaías com tanta graça (40, 12).

Tudo isso, e ainda mal comparando, é uma gota d’água, é um grão de poeira em comparação à imensidão de Deus.

Podemos imaginar o máximo, e Deus é sempre maior.

Podemos fugir até os últimos limites do universo: lá está Deus, à nossa espera. A imensidade, a plenitude de Deus, que nos rodeia, nos envolve e submerge.

Lamartine ofereceu à revista parisiense, “La Revue des deux Mondes”, um artigo sobre Deus. O diretor recusou:

“Preferimos um assunto da atualidade”. Ora, quem mais atual do que Deus? Só ignorando a palavra de São Paulo: “Nele vivemos, nele nos movemos, nele existimos” (At 17,28).

Extraído do livro Teologia das Realidades Celestes, Pe João Beting

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