Plenitude

Passam séculos e novamente um profeta de Israel tenta o impossível: descrever para seres humanos, terrestres,corporais, a natureza de Deus. Tenta dar-nos uma visão da grandeza de Deus, talvez, recordando contatos íntimos com o Ser divino, na sua oração. Mas o sábio e místico desanima e termina bruscamente: “Resumo de todas as palavras: TO PAN ESTIN AUTÓS: ele é a plenitude (Eclo 43,26).

E novamente, já perto dos albores da Nova Aliança,o místico israelita aborda o problema sublime. Certo de sua intuição descreve, ou tenta descrever, a natureza divina,propriamente da Sabedoria de Deus. i.é., a do Verbo,a do Filho de Deus. Enumera três vezes sete qualidades divinas: “claro, suave, sutil, discreto, ágil, penetrante…clarão da luz eterna, espelho sem mancha da majestade de Deus, imagem de sua bondade… amante dos homens…transfunde-se nas almas santas, faz profetas e amigos de Deus” (Sb 7,8-11).

Pléroma

O N.T. afirma, logo de entrada, no prólogo do quarto evangelho, como que para prevenir, de início, malentendidos e deformações: Ninguém jamais viu a Deus; nem Moisés, nem Elias, mas só o Filho unigênito nô-lo revelou (Jo 1,18).

“Deus é a plenitude” (pléroma) Ef 3,19.

“Deus é luz sem sombras” (1Jo 1,5).

Deus é a “origem de todas as luzes que brilham no céu”, declara São Tiago (1,17). E é maior que todas elas, pois “nele não há eclipses ou crepúsculos”. É o sol do universo,sempre a brilhar, dia e noite, por assim dizer, tudo não passa de figuras, de criaturas, a simbolizar o infinito que ultrapassa o intelecto humano.

São Paulo, de volta do terceiro céu, só sabe balbuciar palavras confusas (2Cor 12,3).

Todavia ainda falta o remate da Palavra Revelada:

“Deus é amor” (1Jo, 4,8). Amor inebriando corações humanos no monte Tabor e através dos séculos da história humana. Já o prometera o sábio do A.T.: “amante dos homens… faz amigos de Deus” (Sb 7,22).

Extraído do livro do Padre João Beting Teologia das Realidades Celestes