Perfeição

Deus é plenitude do Ser. O Ser Absoluto. Possui toda a perfeição; tudo quanto possamos imaginar e desejar,nele está. Tudo quanto se encontra de bom na terra; tudo quanto de bom, nobre, grande, viveu, vive e viverá na terra.

Amor paterno, amor materno, amor filial, a inocência da criança, a beleza juvenil, o pensamento filosófico, ciência, virtude, justiça, tudo quanto a terra em sua longa história produziu, é dádiva do alto; é uma gota do oceano infinito das perfeições divinas. Reúne tudo, purifica-o das imperfeições e depois aumenta e multiplica ao infinito e tens uma sombra pálida da realidade divina.

 

DEUS AMOR

“Deus é o amor” (1Jo 4,8). Criou por amor. Remiu por amor: Belém-Nazaré-Calvário. Continua amando: na ceia eucarística.

A humanidade levou milênios até descobrir que Deus é amor. Aliás, não o descobriu. Jesus Cristo precisou contar e provar. Após o desastre, no paraíso, os homens esqueceram até o nome de Deus; quanto mais…

Inicialmente a humanidade viu em Deus a potência suprema, o poder invisível que se revela através da violência dos elementos: raio, trovão, enchentes, terremotos.

“O homem ainda carnal fez Deus à sua imagem” (Rondet).

Deus é vida e criador da vida. O homem, até agora,só conseguiu fazer máquinas e autômatos. Máquinas tremendamente eficientes mas enfim máquinas mortas e incapazes sem a assistência da inteligência humana. Mas a vida continua sendo segredo da fábrica de Deus.

Deus é luz (Jo 1,5), e mora na luz. E essa luz revelase ao homem na suma inteligência que rege o universo, em todas as esferas onde o homem ainda não se intrometeu.

A inteligência humana tem a bela tarefa de seguir o vestígio dos passos de Deus na criação. Tarefa de descobrir o que Deus já fez antes de nós e mais bem feito do que nós.

Mas Deus não é apenas onipotência, vida, luz. É muito mais: é Amor. Da plenitude do Ser brotou a Sabedoria em pessoa, o Verbo de Deus, e brotou logo depois o sumo amor, o Espírito Santo. “Todas as energias do poder residem centralizadas em Ti, ó Pai. Todas as luzes do saber, que como flamas celestes iluminam inteligências angélicas e humanas, estuam, em Ti, Filho Eterno, Verbo Eterno. Todos os incêndios do querer (e amar), que como vivas labaredas ardem em corações amantes, lavram a Ti, Espírito Santo” (ROHDEN, a 1.11).

E a plenitude do Ser, do Saber, do Amor transbordando em bondade, carinho e amor, criou outros seres. E uma vez criada a humanidade, parece que Deus não podia mais viver sem o amor, tão mesquinho, do coração humano. Parece que se sentiu forçado por laços de amor a continuar a prodigalizar-se na Encarnação, na Redenção, calculando que amor produz amor.

Em vão! A humanidade não fez caso do convite de Deus, já pronunciado no A.T.: “Filho meu, dá-me teu coração”(Pr 23,26).

Nem nos acentos de carinho que o Espírito de Deus pôs na boca do profeta: “Carrego-vos no meu peito como uma mãe” (Is 66,13).

“Eu vos amo” (Ml 1,2).

“Com grande amor, com amor ciumento amei Sião”(Zc 8,1).

“Com amor eterno te amei, desde a eternidade. Carinhoso, te atraí a mim” (Jr 31,3).

“Não temas ó vermezinho, estou contigo” (Is 41,14).

E o povo de Deus a lastimar-se: “O Senhor desamparou-me, o senhor esqueceu-se de mim” (Sl 49,14). E Deus apressa-se em responder: “Pode uma mulher esquecer-se do filho de peito, e não ter compaixão do fruto de suas entranhas? E ainda que se esquecesse, eu não me esquecerei de ti” (Is 49,15).

“Eis que te gravei nas minhas mãos” (Is 49,16).

Em vão! Deus precisou chegar às vias de fato. Como Abraão, sacrificou seu filho único, assim o Pai Eterno sacrificou seu filho unigênito. Como prova de amor. Como trato e contrato de nova aliança de amor eterno.

No A.T., Deus escrevera toda uma canção de amor.

O Cântico dos Cânticos descreve, sob a figura do amor humano entre esposo e esposa, o amor de Deus para com a humanidade. O N.T. repete o mesmo leitmotiv musical, sempre de novo: Deus é amor. E todas as obras da criação são estrofes desta canção (Pr 23,26).

Dante viu no fundo do abismo divino e viu, reunido e encadernado num único livro de amor, tudo o que se encontra espalhado em folhas dispersas pelo mundo.

O único problema vital da criatura é este: Sou amado por Deus? Tudo o mais é de somenos importância.

F. W. Faber conta que uma criança derramou lágrimas ardentes sobre este problema: “Será que Deus me ama?” E gente grande também já derramou lágrimas nessa angústia. A última resposta do Pai do céu é a entrega do Seu Filho. Devemos chamar Maria Santíssima. para ela nos contar quanto Deus nos ama. Ela que conversou muito com Ele e o viu no Calvário.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR