OS VIDENTES

“Viram o invisível” (Hb 11,28).

“Ó meu Deus, falar de Ti é infinitamente doce, mas também infinitamente desesperador. O nosso coração não está à altura de tuas obras. Nem a nossa língua está à altura do nosso coração. As palavras não foram feitas para isto. Todavia como Deus está presente em nosso coração, fale o coração” (Delatte).

De tão difícil acesso é a natureza divina para o intelecto humano, que é melhor ceder o passo ao coração.

“Ocultaste isto aos sábios e entendidos e o revelaste aos simples” (Mt 11,25).

“Minha alma abriu-se e bebia Deus. Minha alma respirava e bebia a vida da Santíssima. Trindade” (Lucie Christie).

“A alma submersa em Deus, vive pela vida do Pai,conhece e vê pelo Filho, ama pelo Espírito Santo” (L. C.)

 

Um passeio

Através da terra dos que viram algo. Algumas amostras,antigas e novas.

TAULER: “O espírito está submerso e absorvido pelos abismos do oceano divino. E ele pode exclamar: Deus está em mim, Deus está fora de mim. Deus está ao redor de mim. Deus é todo meu, vejo somente Deus”.

MARINA de Escobar: “Anjos jogaram-me no vasto mar da natureza do Deus desconhecido e incompreensível…

A alma sente-se como que mergulhada num vasto oceano que é Deus e mais Deus. Ela não é capaz de tomar pé, nem de achar o fundo”.

VERÔNICA Giuliani: 

 

Após longas tribulações entrou calmaria na alma e ela viu a Santíssima. Trindade, sua união amorosa, e foi também envolvida nesse abraço do Amor Eterno.

“As vezes, na oração, meu coração parece um regato que pouco a pouco se torna rio, e enfim um mar… a alma sente-se nadando na suavidade e na paz de um mar sem fim. Ondas potentes impelem-na através do oceano do Amor Divino”.

MARIA DE VALENÇA (1648), ex-calvinista, casada no ritual da reforma, “analfabeta, mas teodidata”, ensinada por Deus (Brémond), viu: “O que eu via era uma coisa sem forma nem figura, mas era imensamente bela e agradável de se ver. Era uma coisa que não tinha cor e todavia possuía a graça de todas as cores. O que eu via não era uma luz semelhante à lua do sol, nem à luz do dia, e no entanto aquilo dava uma claridade admirável, e daí provinha toda luz corporal e espiritual. O que via não ocupava espaço nenhum e, todavia, estava presente por toda a parte e enchia tudo. O que eu via não se mexia, e no entanto, agia e operava em todas as criaturas”

— “Sublime balbuciar” que repetem todos esses videntes do além (Brémond).

ISABEL do S. Coração, Lisieux, 1882-1914: “Sem nada ver com os olhos, nem do corpo nem da alma, eu sentia Deus presente. Sentia seu olhar sobre mim, cheio de suavidade e bondade. Olhar acompanhado de um benévolo sorrir.. Sentia-me mergulhada em Deus. Minha imaginação, bem dócil desta vez, não se mexia. Não ouvia nada do barulho que se pudesse fazer em redor. O olhar de minha alma estava neste olhar invisível, fixo sobre mim. E meu coração repetia, sem cessar: meu Deus, eu Te amo. E repetindo-o, sempre, com uma felicidade vaga, mas tão doce, eu desejava que o olhar divino, o sol espiritual, fizesse florir em minha alma todas as virtudes.

E eu sentia que meu desejo se realizava, e que essa paz profunda, esse mútuo amar encobria uma atividade impossível de compreender”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR