LUCIE CHRISTINE

Nasceu em 1844. Casou-se em 1865. Mãe de cinco filhos. Viúva em 1888. Morreu em 1908. Escreveu o Journel,diário espiritual, de 1878 a 1908 (Ed. Poulain, 1910).

“De repente vi diante de meus olhos interiores estas palavras: Só Deus. Estranho é dizer que se vêem palavras.

Mas é certo que as vi, e as ouvi em meu íntimo…

Era uma luz… atração… força…

“Subitamente senti-me envolvida e como que inundada pela presença de Deus. Deus estava aqui. Perto de mim. Não o podia ver, mas sentia a certeza de sua presença:como um cego que toca em alguém. Em meu coração uma unção, uma paz, um alegria divina. Durou mais ou menos uma hora. Seus efeitos não me permitem considerá-lo como ilusão”.

“A soberana beleza de meu Deus impregnou minha alma… Perante o encanto divino a terra não valia mais nada, e as impressões terrenas desvaneceram-se. Fiquei, por oito dias, sob a impressão sensível da beleza divina”.

“Vi Deus, princípio de todas as coisas, dominando tudo, possuindo tudo, como fonte de tudo que é verdadeiro, bom e belo. E sendo Ele mesmo a verdade, a bondade e a beleza, todas as coisas nada são, senão por Ele. Toda espécie de idolatria aparece como coisa espantosa.Todas as coisas criadas perdem interesse à vista do princípio incriado”.

“Após a comunhão, um excesso de felicidade. Perguntei a Jesus porque me fazia tão feliz. Foi-me respondido:

Para desgostar-te das criaturas. Vi Deus como bem supremo, e ao mesmo tempo compreendi que o mal não é senão a negação do bem, um puro nada. Esta vista reduziu a nada todas as sugestões do mau espírito. Não fico mais perturbada e considero-as como nada.

“Compreendi também quão grande será a confusão dos pecadores, e que eles verão que todo o mal que amaram, preconizaram, adoraram, se reduzirá a nada. Ter amado o nada, ter vivido por ele e perder por ele o ser eterno, o bem supremo…”

“Os mundanos vêem na pureza da alma uma virtude negativa, ou senão, uma nulidade. Mas ao contrário, esta pureza é uma flor encantadora, um tesouro incomparavelmente belo. E a alma que a perdeu não tem senão o vazio”.

“Vi a profundeza de Deus, vista grandiosa e empolgante.

A alma vê Deus tão perto dela, dentro dela e ao mesmo tempo tão longe. É o imenso. É o infinito. A gente sente-se perdida nesta profundeza de Deus”.

“A vida íntima de Deus, vê-lo e senti-lo… É impossível dizer o que é. E o coração fica abrasado de amor e do desejo de dedicar-se a Ele. Cada favor que Deus concede,enriquece a alma de um grau de graça e de glória”.

“Essência divina… impossível é dizer o que tu és.

Não és admirada e amada. A alma é atraída por uma força irresistível, é submergida em Deus como num universo sem margens. Goza um repouso incomparável. Sente-se penetrada por esta natureza divina. Sente que vive nela.

Que existe só por ela… Sente que Deus a possui mais que ela a si mesma. Afunda-se nele como uma gota d’água num mar sem limites”.

“Minha alma compreende: na outra vida veremos tudo em Deus. Minha alma parece-se a um vaso repleto, até à borda, de vida divina”.

“Vi de novo como todas as coisas estão em Deus…

Depois vi uma fonte muito pura e abundante que jorrava do sopé de uma montanha, e depois se derramava sobre a planície, onde se dividia numa multidão de filetes de água muito delgadas e mais ou menos limpos ou barrosos, segundo o terreno que percorriam. Muita gente corria à procura desses filetes d’água, mas poucos subiram o suficiente para haurir na fonte. Nosso Senhor me diz: Vê como os homens vão a estes filetes, regatos pantanosos, insuficientes para apagar a sede, em vez de subir a origem de todas as coisas. Aqueles que abandonam tudo por mim, encontrarão tudo em mim”.

“A presença de Deus é tão evidente que as coisas exteriores nada mais parecem que sombras”.

“A alma percebe de certo modo o Pai, de outro modo o Filho, de outro ainda o Espírito Santo, e fica impregnada da unidade três vezes santa… A Santíssima. Trindade está, atrevo-me a dizer, está em casa. Bendito seja Deus.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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