GRAÇA

“Eu vim para que tenham a vida. E a tenham em abundância” (Jo 10,10)

“Elevado da terra atrairei tudo a Mim” (Jo 12,23)

“Quem adere a Deus torna-se um só espírito com ele” (1Cor 6,17)

“Em nossa tenda atual, suspiramos cheios de saudades de sermos sobrevestidos da nossa habitação celeste” (2Cor 5,2)

 

A LUZ DO CRUZADO

 A cidade de Jerusalém tinha sido arrancada aos infiéis

Os lugares santos, que Nosso Salvador santificou por seu sangue, voltaram às mãos dos cristãos, graças à heróica bravura dos cruzados.

O exército vitorioso organizava uma procissão, velas acesas nas mãos, pela cidade santa. O cavaleiro mais valente, aquele que sempre combatera na primeira fila,que no assalto final, tinha escalado a muralha em primeiro lugar, devia ser também o primeiro a acender sua vela na lâmpada do santo Sepulcro. Era um florentino, da família dos Pazzi. Compreendemos que só pensar nessa hora única, as lágrimas subiram aos olhos do rude guerreiro,quando se abaixava para acender sua vela naquele lugar onde outrora havia pousado o corpo de Nosso Senhor.

Neste momento solene, inclinado sobre o Sto. Sepulcro de Jesus Cristo, o cruzado fez a promessa de pôr mãos à obra a fim de levar intacta essa santa chama até à sua terra natal, e de acender com ela as velas no altar da Virgem, em Florença, sua cidade natal.

Logo, tomou o caminho de volta, levando consigo a vela acesa bem protegida numa lanterna; levava também uma boa quantidade de velas de reserva, para nunca chegar a faltar no caminho. Não era nada fácil pôr em execução e sua resolução. Bandidos o surpreenderam e o pilharam; entregou-lhes tudo sem todavia permitir que tocassem na sua vela. No meio do sono acordava sobressaltado para ver a vela acesa. Se uma vela se extinguia, acendia uma nova na chama antiga. Assim chegou, afinal, ao termo de sua empresa, aparentemente impossível.

Trouxe feliz, até Florença a luz tirada do sepulcro de Cristo.

É uma figura da graça santificante que devemos levar, através da vida terrena, até às portas do céu.

Livro:Teologia das Realidades Celestes, Padre João Beting CSsR