Teologia Experimental

 

São João da Cruz mostra-nos a que grau pode chegar a divinização da alma humana aqui na terra, na união mística transformante, se deixarmos a graça santificante livremente exercer sua ação santificadora, sem opor-lhe embargos:

“Deus comunica à alma o seu ser, de tal sorte que ela parece ser Deus mesmo: parece que ela possui tudo o que Deus possui… poder-se-ia dizer que a alma mais parece ser Deus do que alma” (Subida 2,5).

“É uma transformação total em seu bem-amado… É uma união tal que a alma é feita divina e feita Deus por participação, quanto se pode nesta vida” (Cântico 22,1).

“Vive a mesma vida com Deus” (Cântico 22,2).

“Seu entendimento é o entendimento de Deus. Sua vontade é a vontade de Deus e seu amor é o amor de Deus, aquele amor como qual Ele se amava a si mesmo” (Cântico 38,1).

“Torna pois, a alma deiforme e Deus por participação” (Cântico 39,1). Portanto, “ama a Deus por Deus mesmo” (Llama 3,6).

“Brilha-me na alma uma luz espiritual cheia de amor,pela qual conheço plenamente o mistério da união dessa nossa carne com Deus” (Ângela de Foligno).

“Senti-me penetrada pela glória de Deus, que me introduziu no conhecimento, pelo qual ele mesmo se conhece, e no amor, no qual ele mesmo se ama. Percebi… que as três pessoas da Santíssima. Trindade renovaram tudo em mim e fizeram comigo uma aliança de amor e misericórdia”.

“Tornei-me uma coisa com Deus… fiquei repleta do conhecimento de Deus em seu próprio entendimento” (Ana Madalena Remuzat)

“Senti como a minha alma foi investida pela Santíssima Trindade. Quantas vezes ouvi as palavras: não são graças que te dou; mas o próprio autor da graça… Retribui o que me deves, em amor” (Maria da Conceição, 1920)

 

MORADA DE DEUS

 

“Estar na graça de Deus, lamenta Pe. PLUS, significa para muitos cristãos não ter pecado, i. é., não ter nada. Já no capítulo anterior vimos quão rico tesouro é a graça santificante. A graça “diviniza-nos” e traz consigo mais uma conseqüência maravilhosa: a presença da Santíssima Trindade em nossa alma, uma verdade esquecida,uma letra morta, um espaço branco na folhinha de numerosos cristãos.

“De todas as nossas aptidões, a mais singular é saber passar ao lado de maravilhas sem dar por elas. Somos mestres na arte de não nos dar conta das esplêndidas realidades que nos cercam” (Deus em nós, 11).

A palavra de São Paulo, no areópago de Atenas (At 17,28), válidas na filosofia pagã, realiza-se no cristão de um modo superior: “Nele vivemos, nos movemos e existimos”.

Pela graça santificante concretiza-se em nós uma presença nova e mais íntima de Deus; e por sinal, do Deus Trino, das três pessoas da Santíssima. Trindade.

No sermão da despedida, Jesus anuncia aos seus discípulos: “Um dia” compreendereis que eu estou em vós e que vós estais em Mim” (Jo 14, 20). Pois “quem me ama,guarda minha palavra. Meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada (Jo 14,23).

Eis a grandiosa promessa do Filho de Deus para nós seus irmãos menores, que ainda peregrinamos no exílio, longe da pátria. Quanta alegria devia infundir-nos esta promessa. Amando a Deus, com nosso amor mesquinho e pobre, toda a Santíssima. Trindade desce do céu e vem fixar morada em nós.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

  Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

Anúncios