Laudem Gloriae (Louvor da Glória Divina)

 

“Em 1905, Isabel topou na Bíblia com seu novo nome:Louvor da glória divina seu cântico novo, o nome pelo qual o divino Pastor chama cada ovelha. “Meu esposo fez-me entender que era a minha vocação no exílio, à espera da eternidade”. 

“Quero ser uma humanidade de acréscimo para Jesus perpetuar pelos séculos afora a sua vida de adorador,de redentor, usando sua esposa, a fim de nela oferecer louvor, amar, e desagravo ao Pai’.

“Em Maria Santíssima., na Virgem do Carmelo, Isabel encontra a perfeita realização do seu ideal espiritual, principalmente no mistério da Encarnação, paralelo da habitação trinitária: Deus nela e ela em Deus.

Colhemos ainda alguns textos de dois retiros espirituais, que Isabel redigiu no Carmelo: “Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Tal foi o sonho do Criador: poder contemplar-se em sua obra; ver aí brilhar todas as suas perfeições, toda a sua beleza, como através de um límpido cristal… Ele me pede para viver com o Pai num eterno presente, nem antes nem depois, toda inteira, no eterno Agora… Um louvor de glória é uma alma silenciosa,que vibra como uma harpa, sob o misterioso toque do Espírito Santo. Ela sabe que o sofrimento é uma corda que produz os sons mais belos… Um louvor de glória é uma criatura em ação de graças perene. Cada um dos seus gestos, pensamentos… é um eco do Três vezes Sto. do céu. Seu cântico é ininterrupto… Canta sempre, adora sempre, é transformada no louvor, no amor, na paixão da glória de Deus… No céu de nossa alma sejamos louvor de glória da Santíssima. Trindade”.

Isabel resume tudo na conhecida oração: Meu Deus,Trindade, eu Te adoro… “Vivamos na Santíssima. Trindade, que desde o batismo habita em nós. Vivamos para dentro de nós, para aquele que nos escolheu como sua morada (Jo 14,23). Portanto, silêncio, recolhimento. A Santíssima. Trindade é “nosso lar”, nossa vida de intimidade com o Pai, com o Verbo e com o Amor”.

 

Maria da Trindade

 

“Encontro em meu nome íntimo, Hostia Laudis, segredos de luz, de força, de amor. Cada vez que o pronuncio é como um ímpeto novo que me põe em contato com Ele. Parece-me que posso tomar parte, como esposa,nesse divino colóquio que se faz eternamente. Que posso viver no meio de minha família real” (Carta, 25).

“Desde que o amor de minha alma se uniu e fez fusão com o amor infinito, parece-me que fico constantemente unida a Deus, como um pequeno archote sempre a arder. Minha vida está como que se movendo na essência divina, tendo disto consciência mais ou menos clara. Nessa unidade, parece-me encontrar Deus todo inteiro, e gozar de todas as suas perfeições… Há algum tempo penso ter atingido o fim, o fundo, o máximo. Isso me faz viver como que na eternidade e ver coisas como Deus mesmo as vê” (Carta 27).

“Por toda a parte, e sempre, só vejo Deus, e nele encontro tudo o que há de bom, de belo, de atraente nesse mundo, e além disso, Ele próprio. E, portanto, acho nesse mundo uma felicidade sem nome. Mas que felicidade?

Deus está sempre oculto. Os habitantes do céu parecem dormir. Nada também de Maria Santíssima. Mas possuo Deus todo inteiro: tenho consciência de nossa união. Tenho consciência de dá-lo sem cessar a Ele próprio,glorificando-o assim sem medida. Tudo o que faz a minha felicidade nesse estado é poder amá-lo, com amor digno dele, e fazer-lhe um dom infinito. É loucura o que estou dizendo. Mas me parece verdade. Pois que nós fazemos um só, e que só posso amá-lo com seu próprio amor. E dando-me, é por assim dizer a ele que dou. Fico abismada na minha miséria e transbordo de gratidão”(Carta 32).

Terminamos com Sto. Agostinho: “Procurei-te mal lá fora, pois tu estás dentro de mim”.

São João da Cruz: “Ó almas criadas para essas grandezas, com que bagatelas perdeis o tempo. Vossas ambições são só miséria. Como estais cegas para tanta luz, surdas para tão grandes vozes. Ignorais tesouros imensos”(Cântico 39,7).

“O Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17,21).

Teologia das Realidades Celestes

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