JESUS CRISTO MÍSTICO

 

 

O Corpo Místico

Pela graça participamos da vida divina. E a porta de entrada, que nos dá acesso à vida divina, é Jesus Cristo,o Deus-homem. Jesus é a causa meritória, modelo e causa eficiente da nossa divinização. Unindo-nos a ele, enxertando-nos nele pelo batismo, chegamos a participar da sua divindade e através dele, da Santíssima. Trindade.

Todos os batizados, marcados pelo caráter sacramental,formam um organismo, um corpo místico. E Cristo é cabeça dirigente e santificante desse organismo sobrenatural.

 

O mistério

 

 

É o grande mistério escondido no meio da eternidade,agora manifestado por Cristo (Rm 16,25; Cl 1,26; 1Cor 2,7). E por uma revelação especial manifestado a São Paulo (Ef 3,3).

Cristo criou um novo homem (Ef 2,15), e reuniu todos num corpo único, num organismo sobrenatural (Ef 2,16), um acréscimo a Cristo, um corpo por extensão, o corpo místico de Cristo.

Místico não quer dizer irreal. Ao contrário, é mais real do que nossa existência física. Chama-se místico, por ser misterioso, invisível e ultrapassar nossa compreensão terrestre.

 

Morte e Vida

 

 

Diz São Paulo que pelo batismo somos sepultados,enterrados dentro de Cristo; inseridos, incorporados ao Cristo crucificado (Rm 6,7). Morre o velho homem, herdado de Adão. Morre ao pecado. Morre à lei antiga. Morre à carne. “Ser batizado em Cristo, quer dizer, ser batizado no Cristo Moribundo; significa morrer misticamente com Ele;significa ser incorporado a Ele, no momento em que nos salva como redentor”. E ressuscitamos com Ele para uma vida nova (Rm 6,4.5; 8,10). Vida celeste(1Cor 15,44). Vida de união ou até de identidade com Cristo (Gl 2,21; Fl 1,21). Pois “que morrestes a vossa vida está oculta em Deus” (Cl 3,3).

 

Alma

 

 

A alma deste corpo místico é o Espírito Santo. Vivemos pelo Espírito (Gl 5,25). Todos os dons dessa vida nova são do Espírito (Cl. 3,4). Temos em nós o Espírito que nos faz orar Pai-Nosso (Rm 8,15). Somos templos de Deus pelo Espírito (Ef 2,21). E o Espírito mora em nós (Rm 8,15).

 

Evangelhos

Essa doutrina paulina está nos Evangelhos sinóticos,incluída na mensagem do reino de Deus. São João traz a doutrina esotérica do Mestre: o misterioso renascimento no colóquio com Nicodemos (Jo 3). Depois, o misterioso alimento que dá união vital com Jesus (Jo, 6). E principalmente a parábola da videira (Jo 15). Jesus é a videira donde nos vem a seiva vital.

 

Sto. Agostinho

 

 

Sto. Agostinho transmite-nos o belo eco desta doutrina no cristianismo antigo: “Congratulemo-nos e demos graças a Deus, pois tornamo-nos não somente cristãos e sim Cristo. Entendestes, irmãos? A graça de Deus sobre nós, a graça da cabeça. Admiremos e alegremo-nos: tornamo-nos Cristo, pois se Ele é a cabeça, então nós somos os membros. O homem todo: Ele e nós”. “Totus homo, ille et nos”.

 

O novo plano

 

O primeiro plano de Deus fora comunicar-nos sua vida sobrenatural, a graça santificante, por Adão e Eva, os primeiros pais da atual humanidade. Eles nos dariam, junto à existência humana, também a existência sobrenatural de filhos de Deus. O pecado original destruiu esse plano.

Deus não tardou em substituí-lo por outro. Instigado por excesso de amor pela criatura, estabeleceu outro plano,superior em tudo ao primeiro, milagroso, beirando o impossível:Deus pessoalmente se tornaria criatura humana a fim de reerguer assim toda a humanidade, a raça humana à altura de filho de Deus (Gl 4,4). E como toda a humanidade estava vinculada numa solidariedade moralorgânica sob a chefia de Adão, assim de um modo superior estabeleceu Deus uma comunidade sob nova chefia, sob Cristo, Verbo Eterno, Filho Unigênito de Deus, um novo Adão (Rm 5). Com razão exclama a liturgia: feliz culpa de Adão. A troca foi toda a nosso favor, nessa segunda edição refundida e melhorada.

Cristo e a humanidade formam um novo ser. Enxertados em Cristo participamos da sua vida divina, unidos com ele, na simbiose sobrenatural de um organismo vivo misterioso. Nossa graça santificante é crística. Pois somos agregados à Santíssima . Trindade, não pelo Pai ou pelo Espírito, mas pelo Verbo feito carne. Isto marca e caracteriza nossa divinização pela graça.

 

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

 

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