Sta. Coleta parecia semelhante ao Ecce-homo. Frei Pio de Pietralcina, sacerdote capuchinho estigmatizado, morreu em 1969, representou também o Cristo coroado de espinhos. Um fotógrafo tirou, às escondidas, seu retrato.

Ao revelar o filme, frei Pio apareceu com uma coroa de espinhos. O fotógrafo correu ao convento e pediu desculpas pela indiscrição (que fora premiada por um milagre).

Frei Pio contentou-se de resmungar por entre a barba: “Nos tempos de hoje não há outro jeito”.

Uma religiosa do convento de Catarina de Ricci duvidava sempre da realidade das visões desta. Rezando, certo dia na capela, num banco diante da santa, virando-se para trás, viu o rosto de Catarina transformado no rosto de Jesus, com barba longa. E uma voz forte perguntou: “Quem sou eu?” Tremendo dos pés à cabeça, respondeu: “Tu é os Cristo”.

Joana da Cruz (Verona), parecia às suas alunas visivelmente penetradas pela presença de Jesus, especialmente nos dias de comunhão. Diziam: precisamos ficar quietas (na aula); nossa mestra recebeu Jesus, vejam como está toda vermelha”.

Reflexos do Eterno, como os raios luminosos no rosto de Moisés. “Vós sois uma carta de Cristo escrita por nós, não com tinta, mas com o Espírito de Deus. Não em tábua de pedra, mas na carne de vossos corações” (2Cor 3,3).

Uma mística medieval, Jutzi Schultes de Toes OP (morreu em 1292), viu como após a ressurreição universal, Jesus nos fará participar não só da sua divindade mas também de sua humanidade, numa espécie de comunhão eterna, “assim como na comunhão cada um recebe das mãos do sacerdote Deus e homem”.

 

A mesma visionária precedeu a astronáutica, por seis séculos, e o sistema copernicano, pos dois. Pois ela “viu” que “a terra, em comparação com o céu estrelado, é tão pequena, como a palma da nossa mão em comparação com a terra.”. Conheceu que “cada uma das estrelas é tão larga e vasta com a nossa terra”. Aliás, foi precedida pela beata Alpais (falecida em 1211), que “viu” a terra suspensa no ar, redonda como um ovo e rodeada por água, sendo o sol muito, muito maior.

DESTINO

 
Deus deu ao homem um destino final superior à sua condição natural. São Paulo descreve, com palavras magníficas, nosso destino sobrenatural em Rm 8,29: O Pai nos predestinou, desde toda a eternidade, “a tornarmo-nos conformes (symmorpheis) à imagem de seu Filho a fim de que este seja o primogênito entre muitos irmãos” (Cf. Cl 3,10; 1Cor 3,18).

 

 
Crescer

 
O modelo está proposto não tanto para ser imitado numa cópia perfeita, mas para ser realizado, para identificar- nos com ele. Já fazemos parte do grande corpo místico.

Já vivemos em união vital com Jesus. Nossa tarefa portanto é crescer sempre mais, Cristo adentro, com diz o apóstolo (Ef 4,15), “Até que Cristo se forme em nós” (Gl 4,19).

União com Cristo e graça santificante são sinônimos.

Santidade é aumento da graça santificante, é união cada vez mais intensa com Cristo, participação crescente na vida de Jesus. Santidade é desenvolvimento pleno dessa nossa união mística com Cristo, até se tornar unidade, até se tornar identidade, até se realizar em nós o “Não vivo mais, Cristo vive em mim” (Gl. 2,20).

Cristianismo é vida. Vida que nasce, cresce e age. Nasce pelo batismo. Cresce pelo amor. E age pelo Filho de Deus, em união com ele.

Como no sistema solar, não é a Terra que está no centro, mas é o Sol. Tudo gira ao redor do Sol e do Sol recebe a Terra luz e calor, ou seja, todas as fontes de sua energia físico-vital. Assim também toda a nossa vida cristã deve girar em torno de Cristo, para dele receber luz e calor, e poder crescer, crescer sempre mais Cristo adentro.

A vida física humana cresce apenas até atingir plena saúde (e daí não passa). A vida divina da alma pode crescer sempre. Não em tamanho físico, mas em intensidade, e a vida de Deus vai invadindo e penetrando mais e mais a alma humana.

Cresce pelo amor de Deus e pelo sacramento. Não diminui com faltas, imperfeições, pecados veniais: só retarda.

Somente o pecado grave destrói tudo, mata, é mortal.

Esse crescimento deve tornar-se uma realidade.

 Teologia das Realidades Celestes