Transformação
 
Transformação em Jesus Cristo. Uma visão mostra a Sta. Catarina de Sena um grupo vestido de veste nupcial.
O velho homem deve ser transformado, substituído pelo novo modelo (Rm 8,29). O velho prédio deve ser substituído, tijolo por tijolo. E deve doer. Onde os pedreiros mexem… Em Cl 3,3, o apóstolo fala também da morte que produz nossa incorporação em Cristo: “Pois que morrestes e vossa vida está oculta com Cristo em Deus”.Transformação em Jesus Cristo. Uma visão mostra a Sta. Catarina de Sena um grupo vestido de veste nupcial.

“Quem são esses?” Responde Jesus: “Eles são um outro Eu” (Dialoghi 1). Depois, ela comenta: “A alma que ama seu criador não mais se considera, nem ama a si mesma ou a outros. Não pensa mais em si. nem em criatura alguma… Essa visão do Amor transforma a alma em Deus. Pensamento, coração, memória só vêem Deus. A alma já não vê mais criatura, vê somente a Deus”.

 É uma substituição ontológico-mística do humano pelo divino. Ou, se preferirmos um vocábulo up-to-date, é a formação existencial do cristão, filho de Deus; sua gestação espiritual, diz Gl 4,19.

E uma experiência de séculos, que vai de São Paulo até Catarina de Sena, até Juán de la Cruz, até Marie des Vallées, até Marie Ste. Cecile em nosso século. Ou melhor:Atravessa a folhinha de primeiro de janeiro e vai até São Silvestre.

A existência aparente, fachada sem fundo, sombra da realidade, é substituída pela existência real, existente de verdade por imposição do seu Ser, ao qual não “acontece” existir por acaso contingente. Mas que existe por metafísica necessidade: Deus. Tudo começou quando nosso Salvador nos pôs em convivência sobrenatural com o Pai e o Espírito vindo morar em nossa alma.

 
Está na alma como enxerto num organismo vivo, que o absorve e substitui. Inevitável que santificaçãodivinização seja um processo doloroso. Deus é uma presença atuante, viva que desmonta o prédio velho. Sendo de cimento armado, tem de doer; choupana humilde, de sapé, é menos laborioso desfazer. “Onde há cruz e dor, sinal que Deus está perto” (Chardon OP). “Em obras”.
As peças são substituídas aos poucos. Colaborar com essa ação divina é a preocupação dos espirituais. Confira, p. ex., Os Diálogos de Sta. Catarina de Sena.
Encontrou uma expressão drástica, plástica e pitoresca em Maria des Vallées. Mas no fundo é o mesmo brado de surpresa de São Paulo apóstolo: “Cristo se fez a nossa justiça e a nossa santidade” (1Cor 1,30). Por isso reza Sta. Terezinha: “Ó meu Deus, sejais vós mesmo a minha santidade”.
 
 

 

 
 Residência de Deus
 
 Deus trino não está na alma como morto, mas como Deus Vivo e operante. E sua ação realiza-se no sentido de infundir e de implantar a sua vida divina, de açambarcar o pequeno ser que se lhe entregou, de infiltrar-se como água na esponja. Pouco a pouco substitui a substância humana por sua natureza divina, célula por célula, por assim dizer. Substitui, no fim, também as potências da mente, o pensar e o agir, por seu intelecto divino e sua vontade divina.

Santidade

Como Jesus se fez por nós pecado (Gl 3,13), assim tornou-se ele agora “nossa sabedoria, justificação, santificação e redenção. Quem portanto quiser gloriar-se, glorie-se no Senhor” (1Cor 1,30). A economia salvífica da incorporação no corpo místico modificou, um tanto, quadros e estruturas da moral natural. E, assim, santidade cristã é a santidade do próprio Deus que Jesus Cristo nos comunicou no batismo. Varia, e muito, de um indivíduo para outro, mas em sua essência é participação da santidade divina, através do Verbo. Mais santo é quem participa, em grau mais intenso, de uma união maior com Jesus. E o laço que nos une a Deus é o amor divino.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting

 

 

Anúncios