Necessitamos

Da graça interna de um modo absoluto. O sarmento necessita da seiva da videira a fim de poder brotar, florir e produzir frutos. Necessitamos deste auxílio de Deus a fim de podermos agir com nossa forças naturais no plano sobrenatural.

Isso sobretudo porque padecemos das taras inatas da raça de Adão, cujo grau mais leve é certa indisponibilidade obsessiva contra tudo quanto transcende os sentidos. E Deus, tão inacessível aos sentidos corporais, é a primeira vítima desse melindre ancestral. Por isso disse o Verbo feito homem: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). E ainda: “Ninguém pode chegar a mim, se meu Pai não o atrair” (Jo 6, 44), palavra prenhe de mistérios.

 

Antigo Concílio (Orange 529) já condensou a mensagem da revelação em sentenças sempre memoráveis: “Pensar e agir direito é dom divino. Praticando o bem, é sempre Deus em nós e conosco que faz com que o pratiquemos”.

“Deus nos ama tais como seremos por seus dons: não como somos, por nosso mérito ou demérito”.

 “Amar a Deus é, de todo, um dom de Deus”.

 

É um grande dom, diz o Concílio de Trento.

Só Deus dá esse dom, diz o apóstolo (1Cor 1,18 etc.). É fruto da prece, da oração, diz o Concílio de Orange. Resume a Teologia: não se adquire pelo mérito das boas obras, mas somente se obtêm por humilde súplica. E essa súplica, afirma Sto. Afonso com os demais teólogos, é infalivelmente atendida. Jesus o prometeu: “Tudo quanto pedirdes a mim, ou ao Pai, em nome, eu o darei” (Jo 14,14).

 

Natureza

A graça atual é uma qualidade, uma ação que influi e opera. É obra exclusiva de Deus, uma emanação da natureza divina, à semelhança da graça santificante. Atua sobre o intelecto e a vontade. Produz em nós, e conosco a ação salutar, sendo esta efeito de Deus e do homem, colaboração misteriosa da Bondade com a miséria humana.

 

Origem

“Todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1,17). Desce com predileção sobre os humildes e pequenos (Tg 4,6, 1Pd 5,5; Mt 11,25).

Desce com prazer sobre os pedintes: “Se alguém tem falta de sabedoria, e quem não a tem? Peça-a a Deus que a dá com generosidade e sem regatear” (Tg 1,5).

 Jorra em abundância do Cristo visível, presente entre nós, que é a Igreja e suas sete fontes sagradas.

Como reza uma prece medieval do século 15, Jesus interpela a alma: “O que tu não és, eu o sou. O que tu não fazes, eu faço. O que tu não podes, eu o posso: sou Onipotente”.

“O Espírito e a Esposa dizem: vem. Quem tiver sede, venha. Quem quiser, venha buscar a água viva, de graça”(Ap 22,17).

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

Precisamos

Precisamos desse impulso paternal para o primeiro ato de fé e para todos os demais atos preparatórios da nossa conversão-justificação. Carece o pecador da graça de Deus para não cair em novos pecados. O justo não persevera por longo tempo sem esse auxílio de Deus.

Perseverar

Precisamos da graça para perseverar até ao fim da longa jornada pela vida terrena. A graça da perseverança final é um conjunto que graças atuais, uma série de auxílios divinos que nos guiam e ajudam no caminho, nas encruzilhadas.