Santidade não é sentir-se disposto aos atos mais heróicos de virtude. Não é realizar obras heróicas de apostolado.

Não consiste em mortificações físicas sobrehumanas.

Comer só um pedaço de pão por dia durante quarenta anos, dormir diariamente apenas duas horas, e em cima de uma cadeira, e gastar as restantes vinte e duas horas do dia ininterruptamente cuidando dos doentes num grande hospital, e isto até a idade de 70 anos…

Impossível, dentro dos recursos humanos. É Deus quem realiza estas virtudes heróicas.

Santidade é amar a Deus. E nossa tarefa é provar a Jesus, por todos os pequeninos meios ao nosso alcance,

este nosso amor por ele: em pensamentos, em palavras e em pequenos sacrifícios, essas pequenas renúncias do amor próprio na vida cotidiana. Tudo com uma confiança grandiosa e audácia amorosa na bondade de Deus. “O caminho da infância espiritual (o termo é de madre Inês) é o caminho da confiança e do abandono total. Quero ensinar-vos os meios singelos que tão bom resultado têm dado…

Obsequiar Jesus com as flores dos pequenos sacrifícios… ganhá-lo pelo carinho… Foi assim que o conquistei e por isto serei tão bem recebida no céu” (NV. 17.8.1897)

Um precioso texto, numa carta a Celina, já Sóror Genoveva: “Desde que Jesus nos vê bem convencidos do nosso nada, ele nos estende a mão. Mas se nós tentamos de novo fazer algo de grande, mesmo sob pretexto de zelo, o bom Jesus nos deixa sozinhas. Corramos ao último lugar; aí ninguém nô-lo virá disputar” (Carta: 215).

“Não terei nada para apresentar ao Senhor, na hora da morte. Terei as mãos completamente vazias”, lamentava-se sua irmã. Responde: “Encontro-me nas mesmas condições. E é justamente isto que me alegra. Porque, não tendo nada (como o servo inútil), receberei tudo de Deus”; “Imagino que Nosso Senhor se verá em apuros comigo, pois não tenho obra alguma. Por conseguinte, não poderá premiar-me segundo minhas obras”… “Tenho muitas fraquezas; mas não me aperto com isto. Digo de mim para mim: ai de mim, ainda estou parada no primeiro degrau, como sempre. Sem tristeza, cheia de paz. É tão gostoso reconhecer-se fraca e pequena”… “A esperança cega que tenho em sua misericórdia, eis meu único tesouro”…

“Antigamente, exigiam-se vítimas puras e sem mancha para satisfazer a justiça divina. Mas agora, vale a lei do amor e o amor escolheu para holocausto a mim, criatura fraca e imperfeita. Porque o amor se abaixa até ao nada e transforma em fogo este nada… Ó Jesus, sou pequenina demais para fazer grandes coisas. Minha loucura consiste em esperar que teu amor me aceita como vítima…

Ó meu bem-amado, teu passarinho ficará sem forças e sem asas todo o tempo que quiseres. Mas sempre com os olhos fixos em Ti… Virás buscar-me e mergulharme no ardente abismo do amor”.

Concluímos, com a carta 176: “Só o desejo de ser vítima basta; mas é mister consentir em ficar sempre pobre e sem força. Fiquemos bem longe de tudo o que brilha.

Amemos nossa pequenez. Amemos não sentir nada.

Assim, seremos pobres de espírito e Jesus virá buscarnos e transformar-nos em chama de amor”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

Anúncios