Uma Canção: 1Cor 13

“Apresento-vos um caminho mais excelente.

Se eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, mas não tivesse caridade, seria como o soar do metal ou do tinir duma campainha.

Se eu tivesse o dom da profecia; se soubesse todos os mistérios e possuísse toda a sabedoria; se tivesse a fé total a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse a caridade, nada seria.

E se distribuísse de esmola todos os meus haveres, e se expusesse minha vida num incêndio, mas não possuísse a caridade, de nada valeria.

A caridade é paciente, não é interesseira, não se irrita,não guarda rancor.

Não é melindrosa.

Não folga com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

Tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade não acaba, jamais.

Terão fim as profecias. Expiará o dom das línguas.

Perecerá a ciência.

Porque imperfeito é nosso conhecer, imperfeito nosso profetizar.

Mas quando vier o que é perfeito, acabará o que é imperfeito.

Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, julgava como criança. Mas quando me tornei homem, despojei-me do que era pueril.

Vemos, agora, como que em espelho e enigma. Então, conhecereis de todo, assim como eu mesmo sou de todo conhecido.

Por ora, ficam a fé, a esperança e a caridade: estas três. A maior delas porém, é a caridade.

Aspirai a caridade”.

 

Um convite

 

“Ouço uma voz que começa a falar-me: tu chamaste o meu servo Francisco, mas eu quis enviar-te outro mensageiro.

Eu sou o Espírito Santo, e venho justamente para dar-te uma consolação, como jamais provaste no passado.

Quero penetrar em ti, e conversar contigo durante toda a tua jornada, sem cessar um momento. E tu não poderás dar atenção a outra coisa. Porque eu te prendi a mim, e não me separarei de ti, senão quando passares por aqui outra vez. Então te deixarei, privando-te apenas dessa consolação. De resto, estarei sempre contigo, se me amares”.

E para incitar-me a amá-lo, assim prosseguiu:

“Ó minha doce filha, filha minha e templo meu, filha minha e minha delícia, ama-me, porque eu te amo muito mais do que tu a mim”. E freqüentemente me repetia: “Minha filha e minha doce esposa”. E depois acrescentava: “Amo-te mais que a qualquer outra do vale de Spoleto.

Por isso, como eu vim a ti e em ti busquei o meu repouso, vem tu também a mim e descansa”. “Eu estive com os apóstolos, que me viam com os olhos do corpo. Mas não me sentiam como tu me sentes. E quando chegares à tua casa, provarás nova e maior alegria; e então, me sentirás e não apenas ouvirás a minha voz como agora. Tu pediste ao meu servo Francisco, esperando com ele e por ele obter o que desejavas. Francisco muito me amou e por isso operei nele coisas admiráveis Mas em verdade te digo: se outra pessoa do mundo me amasse mais do que ele, eu saberia operar nela coisas mais admiráveis”.

Além disso me dizia: “Quão poucos são hoje os bons, e quão débil é sua fé.” Lamentando-se ajuntava:

“Amo com imenso amor a alma que me ama com amor sincero. Se eu encontrar uma alma que me ame com amor perfeito, enriquecê-la-ei com minha graça, como jamais fiz com os maiores santos, desde que o mundo é mundo. Não há quem possa recusar esse amor, porque cada um pode amar a Deus, e Ele, outra coisa não quer senão que a alma o busque e o ame, amando-a também Ele verdadeiramente, e sendo ademais o próprio amor da alma. Profundas são essas palavras”.

 Livro: São Clemente Maria Hofbauer CSsR

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