Mostrou-me, depois, que Ele é o amor da alma, com o grande argumento de sua vinda à terra e da cruz carregada por nós, Ele que é tão imenso e glorioso. E, explicando-me sua Paixão, e quanto fez por nós, acrescentou:

“Vê se em mim há outra coisa que não seja amor”. E minha alma bem compreendia que ali não existia, senão amor. Lamentava-se além disso de não encontrar nestes tempos senão poucos que são dignos de sua graça. E prometia que usaria, com aqueles que agora o amassem, de maior liberalidade em graças do que tinha usado, com outros santos. E me repetia: “Minha doce filha, ama-me sem medida, porque és muito mais amada por mim do que eu por ti. Minha amada, ama-me. Imenso é o amor que voto a cada alma que me ama sem sombra de malícia”.

E parecia-me que Ele queria que a alma, segundo sua virtude e capacidade, o amasse com aquele grande amor com que Ele a amava. E bastaria que ela manifestasse este desejo, para que ele suprisse a sua deficiência.

E, de novo, me dizia: “Ó minha amada, ó minha esposa dileta, queiras-me sempre bem. De fato, toda a tua vida, o comer, o beber, o dormir, toda a tua vida em suma, me é cara, se tu me amas”. E então, acrescentou: “Operarei em ti grandes coisas em presença dos povos. Em ti serei conhecido, glorificado e exaltado; meu nome será louvado em ti por muitas nações”. Essas e outras coisas mais me foram ditas. Eu, porém, ao escutar-lhe a voz, enumerava os meus pecados e defeitos e me via completamente indigna de tão grande amor. E minha alma, voltando-se à voz que lhe falava: “Se fosses o Espírito Santo, dizia-lhe, tu não me dirias certas coisas, que de maneira alguma me convém; pois eu sou frágil e poderia surgir em mim a vanglória”.

Responde: “Vê e pensa se consegues ensoberbecer-te às minhas palavras; vê se podes pensar em coisas diferentes dessas”. E eu, para ver se era verdade o que se me dizia, e se era mesmo o Espírito Santo, procurei ensoberbecer-me: olhei de um lado e do outro, os vinhedos, somente para distrair-me dessa voz: “Olha e contempla tudo isso que vês, é criatura minha”. E eu provava uma doçura inefável. Todavia, afluíam-me à mente, todos os meus pecados, e de minha parte nada via em mim senão pecados e defeitos, e senti-me mais humilde do que nunca” (Ângela de Foligno, em romaria a Assis)

Mensagem: 1Jo 4 

 
Caríssimos! Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus.

Quem não ama, não conheceu a Deus, porque Deus é amor.

 Eis como se manifestou entre nós o amor de Deus: enviou ao mundo seu Filho único, a fim de que vivamos por Ele.

 
Nisto, consiste seu amor: não fomos nós que amamos a Deus; foi ele que nos amou e enviou seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados.

 

 
Caríssimos! Se Deus nos amou assim, nós também devemos amar uns aos outros.

 Ninguém jamais viu a Deus. Mas se nos amarmos uns aos outros. Deus permanece (mora) em nós, e seu amor atinge em nós a perfeição.

 
Conhecemos o amor que Deus tem por nós, e nele acreditamos. Deus é amor. E quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus nele.

 Amemos, porquanto ele nos amou primeiro.

 
 

Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e observamos seus mandamentos.

 
Nisto consiste o amor de Deus: que guardamos seus mandamentos.

 
  Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

 

 

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