O AMOR DE DEUS DENTRO DE NÓS
 Romanos 5,5: “O amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado”.
1. É amor de amizade, amor de benevolência. Amizade mútua, benevolência mútua.

2. É a maior, a mais alta virtude. As demais virtudes referem-se à moralidade humana. As três virtudes teologais referem-se a Deus e nos unem com Deus. A fé e a esperança, de um modo imperfeito. A caridade-amor põe-nos em contato com o próprio Deus de modo imediato, direto.

 

3. A nossa santidade, ou graça santificante, é Jesus Cristo, no qual estamos incorporados pelo batismo. E assim o amor com que amamos a Deus é participação do amor com que o próprio Deus Trino se ama; é uma partícula do amor divino.

Como disse Jesus a Sta.Catarina de Sena: “Eu sou o fogo, vós as centelhas”. É fruto da oração sacerdotal de Jesus: “A fim de que o amor com que me tens amado, esteja neles” (Jo 17,26).

Pela graça santificante, participamos da natureza divina.

Pela virtude do amor de Deus participamos do amor incriado da Santíssima. Trindade. A fé e a esperança participam da imperfeição da natureza terrena. O amor, porém, atinge por contato a essência divina.

Uma Jacquelina de cinco anos é interrogada pelo sacerdote: “Queres bem a Deus”? “Oh sim, padre”. Com todo o teu coração? “Oh, não. O meu é muito pequenino. Amo-o com o coração dele”. Resposta precoce na vida espiritual. Mas teologicamente tão exata: desde que fomos batizados, vivemos e amamos com o coração de Cristo.

Sta.Coleta rezou certo dia: “Bom Mestre, eu bem quisera amar. Mas meu coração é pequeno demais”. E logo viu descer um grande coração, todo inflamado. E uma voz disse-lhe: “Ama-me agora tanto quanto queres”.

4. Segue-se daí, o valor supremo desse amor divino. Este amor divino dá valor às demais virtudes. Sem ele, todas as virtudes ficam no andar inferior das virtudes naturais, incapaz de atingir o Deus Uno e Trino da Revelação. O amor divino imprime-lhes valor sobrenatural, eleva-as ao plano sobrenatural.

A teologia cunhou o termo: é a forma de todas as virtudes. É o seu elemento formal. Esse amor divino deve, pois, exercer um santo império na vida espiritual. Deve comandar virtudes e boas obras, atos de culto e práticas de piedade. Quanto mais for enérgico e veemente este comando espiritual, tanto maior será seu valor.

5. E tanto maior o mérito. Mérito é o valor que uma ação representa perante Deus. Base (Sto. Tomás diz: raiz, radix meriti) e medida é o amor de Deus, tanto quanto influiu numa boa ação. Grau de amor e grau de mérito, correspondem.

 Assim como na visão beatífica no céu e o correspondente grau de amor no céu são calibrados, com licença desta palavra antropomorfa, pelo grau e fervor de amor com que temos agido na terra.

É o prêmio essencial, diz a teologia. Enquanto as demais virtudes, mesmo heróicas, não entram na contagem.

Dão direito ao prêmio acidental, uma espécie de distinção pessoal, uma auréola, que destaca mártires, virgens, penitentes, apóstolos, esmoleres etc. Mas a nossa relação para com Deus é graduado apenas pela virtude do amor divino, e do seu santo império no organismo das virtudes.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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