Crescendo sempre
 

O amor de Deus deve crescer sempre. Não tem limites em nossas limitações humanas. Sem fim, portanto.

Mas Deus é camarada, perdão pela irreverência. Ele marcou um bloco de virtudes como expressão mínima de amor: os dez mandamentos e mais os deveres individuais de estado. E, no mais, continue a criatura na mediocridade, chão a chão. Os homens podem adiar a tarefa e contentar-se, por hora, com o mínimo. Felizmente existe após a morte um curso vestibular, onde os retardatários ainda podem aprender como se ama o Ser Absoluto e o Amor infinito.

Mas Deus também continua convidando a subirmos mais alto. Seu desejo é o máximo fervor: nunca chegaremos a amá-lo tanto quanto somos amados.

Faz-nos um convite às alturas. O céu recusa os servos; só se abre aos amigos. Generosidade!

Sempre mais
 

 Amar a Deus, porque Ele deseja o nosso amor. Amar a Deus porque nos ama com amor supremo. Amá-lo porque nos amou primeiro. Amá-lo por sua infinita perfeição.
Amar a plenitude do Ser. Eis a essência da religião, da piedade. Amar a Deus como nossa origem e último fim: nisso, está tudo.

Amar é a ocupação dos bem-aventurados do céu.

Amar fez os santos na terra.

Eis o fascínio do amor de Deus. Jovens, virgens delicadas e moços da mais alta estirpe, que triunfaram sobre fogueiras e cavaletes de tortura, que os dentes das feras trituraram. Mártires antes da idade, como Venâncio, Águeda, Inês, Catarina, Cecília. Santos precoces ou gente humilde das favelas romanas, que passaram toda uma existência no penar da pobreza ou da doença por amor ao Deus Salvador. Filhos de reis que desprezaram a glória deste mundo em troca do amor de Deus. Soldados valentes como Sebastião, ou pecadores convertidos como Agostinho.

O amor de Jesus é sempre excessivo, a fim de receber de nós, em troca, não um amor excessivo, coisa impossível perante o Bem infinito, mas um amor menos minguado. “Bastava Jesus derramar uma gota de sangue para nos salvar: quis derramar todo o sangue do seu coração.

Bastava transformar o pão num sacramento, a fim de nos transmitir graças: fez questão de ficar pessoalmente presente como dom… Cada um de seus dons é duplo, triplo, cêntuplo” (F. W. Faber)

Vivemos rodeados do amor divino, num oceano de graças, como o peixe nas águas do mar. Graças que estão acima de nós, abaixo de nós, ao redor de nós e por toda a parte. É uma maré que sobe sempre, que não conhece refluxo.

E Deus paga o nosso amor (mesquinho). Paga logo.

Pelo aumento da graça santificante, da qual um grau vale mais que todo o universo.

Cada aumento é uma vinda na da Santíssima Trindade.

Uma verdadeira antecipação do céu. Porque desde já estão conosco não só alguns dons de Deus, mas o próprio Deus Tri-pessoal. Desde o instante da nossa justificação, ele é nosso. “Deus nos pertence”.

E cada ato de amor é um novo contato divino na alma.

Até os nossos pensamentos são atos de amor, iguais em valor às mais difíceis ações, penitências e sofrimentos.

“Não por sermos bons é que Deus nos ama, mas porque ele nos ama é que somos ou ficamos bons” (Um trapista de 32 anos).

Medíocres
Cultivamos um catolicismo “com grandes abatimentos”, com 95% de redução de preço. É uma prisão de mediocridade em que vivemos aqui na terra. Nosso signo astral é a vulgaridade banal. “A perfeição cristã, não é mais nada do que a conquista da normalidade… É um modo de dizer, mais delicado, que os estultos constituem a maioria (François Mauriac).
Caçoaram das excentricidades do Cura d’Ars: “Ele tem um quê de loucura”. Seu bispo respondeu: “Oxalá, todo o meu clero tivesse um pouco dessa loucura”.

 

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR
 
 

 

Anúncios