Fruto da prece

 

Pedi e recebereis. Fazemos esforços ascéticos e esquecemos que santidade é amor de Deus. Avisa São Francisco de Sales que devemos tender à perfeição, não para nosso contentamento, mas para agradar a Jesus”.

Avisa Sta. Teresa d’Ávila (fruto da experiência) que tropeçamos tanto na estrada da santidade por não mantermos os olhos fixos em Jesus, no alto (nas estradas terrestres, aconselha-se o contrário!).

 E, como adverte com muita graça o monge medieval: “O homem é uma árvore virada às avessas, porque suas raízes sorvem a santidade na cabeça: Cristo” (Isac Estrela), Repete o monge hodierno (Houtrive): “Não devemos colocar o acento sobre o esforço moral. Nós não somos o centro do mundo, mas Deus.

Não devemos procurar tanto aperfeiçoar-nos, mas amar.

Quem quer aperfeiçoar-se, considera-se a si mesmo. Vive preocupado com seu próprio eu. Enquanto que, quem ama,  perde-se de vista e   esquece-se, só  para agradar a Deus… O mérito de um boa obra, não se mede por sua importância ou utilidade, mas pelo motivo que lhe dá impulso.

Como no Antigo Testamento. Deus mandou dizer (pelo salmista): De nada me adiantam bois e carneiros, ó Israel… interessa o amor da oblação.”

E sempre de novo seja lembrado: Jesus Cristo é nossa santidade. Ele supre tudo o que nos falta. Até nos empresta o seu Coração para amá-lo.

Pedi e recebereis

 

A tarefa final

 

Os ascetas medievais chegaram a especificar de dez a quinze graus de amor a Deus. Sem importância.

Subamos sempre, sem contar; Deus merece o amor total, pois é infinito, é o amor por essência. De todas as variedades de amor, paterno, de amizade, infantil, nupcial, cabe a Deus a parte de escol. “Não receiemos nunca amar demais, e sim de menos”, adverte Sto. Agostinho.

Feliz São Felipe Neri, cujo coração, de tanto amor divino, abriu espaço e rompeu-lhe duas costelas.

Sta. Teresinha joga pétalas de rosas sobre o crucifixo, no jardim do claustro: –”Está pedindo alguma graça?”

Respondeu com vivacidade: –”Não. É para fazer agrado.

Não quero dar para receber. Quero viver de amor”.

No leito da morte é interrogada: –”Que estava dizendo a Jesus?” Respondeu, sorrindo: –”Não lhe digo nada; eu o amo”.

E logo, no grande encontro, a alma submerge na divindade como gota d’água no imenso mar. “Agora viver e amar são a mesma coisa. Mortificação, penitência, sofrimento, tudo passou. Fé e esperança também já estão superadas pela visão de Deus” (Houtrive)

Com a palavra final a Palavra de Deus: “Não viver mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Cor 5,15). Eis o programa a ser vivido pelo cristão.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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