“Sinto em minha alma a coragem de um cruzado.

Quisera morrer sobre um campo de batalha pela defesa da Igreja”.

“Sinto em mim a vocação de sacerdote. Com que amor, ó Jesus, tratar-te-ia em minhas mãos… Apesar da minha pequenez, quisera instruir as almas como os profetas, os doutores”.

“Tenho a vocação de ser apóstolo. Quisera percorrer a terra, pregar teu nome nas cinco partes do mundo. Quisera ser missionária, não somente durante alguns anos.

Quisera tê-lo sido desde a criação do mundo e sê-lo até seu fim”.

“Quisera sobretudo, derramar meu sangue por ti até a última gota. O martírio, eis o sonho de minha juventude.

E este sonho cresceu comigo nos claustros do Carmelo”.

“Jesus, Jesus, se quisesse escrever todos os meus desejos, ser-me-ia preciso emprestar o livro da vida onde são relatadas as ações de todos os santos, e essas ações quisera tê-las realizado por ti”.

“Ó Jesus, que vais responder a todas as minhas loucuras?

Haverá uma alma mais pequenina, mais importante do que a minha? Entretanto, por causa da minha fraqueza te apraz, Senhor, cumular meus pequenos desejos infantis. E hoje, queres realizar outros desejos, maiores que o universo”.

“Fazendo-me estes desejos sofrer um verdadeiro martírio, abri as Epístolas de São Paulo, a fim de procurar alguma resposta… Em 1Cor 12,13, li que nem todos podem ser apóstolos, profetas, doutores etc. Que a Igreja é composta de diferentes membros. Continuei a leitura…

Procurei com ardor os dons mais perfeitos.

“Vou mostrar-vos uma via ainda mais excelente”. E o apóstolo explica como os dons mais perfeitos nada são sem o amor. Que a caridade é a vida excelente que conduz seguramente a Deus. Encontrei enfim. A caridade deu-me a chave de minha vocação. Compreendi que a Igreja tinha um corpo composto de diferentes membros e não lhe faltava o membro mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha um coração. E que este coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor faz agir os membros da Igreja. E que, se o amor viesse a se extinguir, os apóstolos não anunciariam mais o Evangelho. Os mártires recusariam derramar seu sangue… Compreendi que o amor encerra todas as vocações.

Que o amor é tudo… abraça todos os tempos e todos os lugares. Numa palavra, ele é eterno.

No excesso de minha alegria delirante exclamei: “Ó Jesus, encontrei enfim minha vocação. Minha vocação é o amor. No coração da Igreja, minha Mãe, serei o amor.

Será realizado o meu sonho…

Sou apenas uma criança impotente e fraca. Mas é a minha fraqueza que me dá a audácia de oferecer-me como vítima a teu amor, ó Jesus… A justiça divina exige vítimas perfeitas. Mas o amor, para ser plenamente satisfeito, abaixa-se e desce até ao nada, a fim de transformar em fogo este nada”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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