E, segue o remate final, numa metáfora deliciosa:

“Sou filha da Igreja. A Igreja é rainha, pois é tua esposa, ó divino Rei dos reis! Não são riquezas e glória, nem mesmo a glória do céu que reclama o coração da criança. A glória pertence por direito a seus irmãos, os anjos e santos. A criança só sabe uma coisa: amar-te, ó Jesus. As obras brilhantes são-lhes interditas. Que importa?

Seus irmãos trabalham em seu lugar e a criança fica junto do trono do Rei e da Rainha, amando por seus irmãos que combatem, jogando flores e cantando com sua voz argentina o cântico do amor. Não tenho outro meio de provar-te meu amor a não ser jogando flores, isto é, não deixando escapar nenhum sacrificiozinho, nenhum olhar, nenhuma palavra, aproveitando todas as pequeninas coisas e fazendo-as por amor”.

Ó Jesus meu, eu te amo! Amo a Igreja, minha Mãe

Recordo-me que o mais pequeno movimento de puro amor lhe é mais proveitoso que todos os outros juntos (São João da Cruz)

Duas reflexões após esta longa citação. Sta. Teresinha não se considera como o coração da Igreja, mas o amor deste coração. A intuição teresiana não se originou da carta paulina. Ela ultrapassou o pensamento do apóstolo, que serviu de ponto de partida (Combas)

A santa vai à procura do amor com que Deus ama.

“Ó farol luminoso do amor, sei como chegar a ti!… Encontrei o segredo de aproximar-me de tua chama… Com as próprias asas da águia divina quero chegar até o sol do amor” (Vida, 254)

Oportuno este anúncio carismático, esta mensagem: retorno ao núcleo central da espiritualidade cristã, ao amor de Deus. Retorno das tarefas periféricas para o centro.

Oportuno recordar que não é somente a dor e o sofrimento de vítimas “salva”, mas também, ou antes, o amor de Deus. As vítimas sejam, pois, em primeiro lugar suplentes do amor desprezado. Oportuna e grandiosa a intuição de que o amor divino é a seiva vital da Igreja. É o sangue que circula no corpo místico, que condiciona a saúde e o bem-estar espiritual. Cabe à piedade cristã a tarefa de o fornecer com abundância a todo o mundo. Tarefa de nunca deixar faltar o óleo na lamparina. E como é fácil cumpri-la: amando, jogando flores (e certamente, admitem-se algumas folhas de capim, de permeio). Até simples pensamentos são amor de Deus. Eis uma boa tarefa para nós, pequenos que somos para obras de vulto.

Recitemos e renovemos sempre a oblação como vítimas de amor. Não há perigo. Quando muito desaba sobre nós uma torrente ardente de amor de Deus, torturante como fogo, mas é um fogo do céu. Um dia antes da morte, Sta. Teresinha confirma sua mensagem: “Já disse tudo, só o amor é que conta” (NV 30-IX)

 “A santidade não consiste em tal ou tal prática. Consiste, naquilo, que nos faz humildes e pequenos nos braços de Jesus, conscientes da nossa fraqueza, e confiantes, até a audácia, na sua bondade de Pai” (NV 3-VIII)

“Sinto que minha missão vai começar. Minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo” (NV 17-VII)

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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