AMOR AO PRÓXIMO

 

“Temos dois pés para ir ao céu: o amor de Deus e o amor ao próximo”. “E será um Cristo só amando a si mesmo” (Sto. Agostinho)

“Todos os pobres levam escrito na testa o nome de Jesus” (São Paulo da Cruz)

“Amar o homem por amor de Deus foi até agora o sentimento mais nobre e mais elevado que a humanidade alcançou” (Nietzsche)

“Ó amigo, não lhe dou amor, porque tenho pouco e este pouco quero dar a Deus. Mas dou-lhe bons afetos, boas palavras e obras, e principalmente uma paciência sem limites” (HB)

“O primeiro e mais necessário dom é a caridade com que amamos a Deus acima de tudo, e por causa dele ao próximo… Caridade, para com Deus e para com o próximo, é o sinal do cristão verdadeiro” (Vat. II, LG 42a).

 

Crise

Antigamente, foi talvez preciso lembrar aos cristãos que não se esquecessem do próximo, de tanto amarem a Deus. Hoje, acontece o contrário. O humanismo ateu sentenciou: o primeiro mandamento (amar a Deus) era provisório; era para humanizar a besta humana; agora, “retirem-se os andaimes”, e suprima-se o primeiro, com grande vantagem para o segundo mandamento (cf. SALET) Encontrar o Cristo muitos cristãos e até teólogos monoteístas.

 Rahner, por razões filosóficas, não teológicas, acha que o amor ao próximo substitui e dispensa o amor a Deus. “Ambos são radicalmente idênticos”. Objeto primário do amor de Deus é o próximo. Objeto secundário é Deus Pai, Filho e Espírito Santo. A prova bíblica não convence, nem a ele mesmo (RAHNER, Escritos VI, 282). E o mais é construção não teológica, mas filosófica: pois as razões aduzidas revelam-se da alçada da antropologia filosófica. Teologia das Realidades Celestes: Padre João beting CSsR

Abandonamos, portanto o sistema copernicano e retornamos ao ptolemáico: a terra é o centro imóvel do universo; sol, lua, galáxias, estrelas, giram ao seu redor. Estranha teologia. Ouvimos a queixa do Filho de Deus: “Abandonaste teu primeiro amor” (Ap 2,4).

 

Sempre novo

 

Não vou desmentir ou desprestigiar esta filha do céu, três vezes bendita que contém todas as promessas do céu e da terra, desde o “Sermão da Montanha” até o Lava- pés. Mas ela fique como segundo lugar. O primado é do Ser Supremo, Deus. E suas criaturas são um ótimo campo de treino, onde podemos testar e comprovar nosso amor pelo Deus invisível, tratando bem, em pensamentos, palavras, obras e omissões suas criaturas visíveis. Não há dúvida: amar a Deus, sem amar os homens, está errado.

Mas com uma ligeira correção: sem amor sobrenatural.

É sumamente desagradável combater uma idéia boa e perfeita em si. Nosso século não só viu acesas verdadeiras fornalhas de ódio infernal; viu também florir, de um modo descomunal, a caridade fraterna. Assim o movimento dos focolari (Mariápolis). Assim a Cruzado do Pe. Lombardi, um “carismático” no melhor sentido da palavra. Mas repito: o primeiro próximo é Deus, e ele não tem vontade nenhuma de renunciar ao afeto do nosso coração.

Mandamento antigo e sempre novo. “Infelizmente, continua novo porque o cumprimos mal. O fermento evangélico deve lutar durante toda a vida para vencer as resistências obscuras e sempre renascentes (do egoísmo).

Passados anos, após nosso batismo, parece que muitas zonas do nosso eu não estão ainda batizadas. É preciso cristianizar-nos (SALET, 137). Como prova, basta a história das guerras militares ou econômicas perpetradas pela humanidade. Ou há quem prefira a psicanálise, que também sabe contar algo sobre a “bestia bionda”.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João beting CSsR