Amor Teologal

 

O motivo do nosso amor para com o próximo, amor disposto a dar até a vida, é Jesus, é Deus. Escreve Sta. Teresinha, com muita graça (Vida, 280): “Como e por que Jesus amou seus discípulos? Ah! Não eram suas qualidades naturais que poderiam atrai-lo. Havia entre eles e Jesus uma distância infinita. Ele era a ciência, a sabedoria eterna; eles, pobres pescadores, ignorantes e imbuídos de idéias terrestres. E Jesus chama-os de amigos, irmãos”.

Nesta luz sobrenatural, a santa declarou: “Deus tem prazer em mostrar seu amor ao próximo, usando-nos como seu instrumento”.

Assim, desta maneira, a caridade para com o próximo é realmente teologal. É a terceira e a mais elevada das três virtudes.

E ela recusa-se a ficar no plano do amor humano.

Sto. Tomás proclama, em fórmulas sem ambigüidade: “Só tem caridade para com o próximo, quem ama a Deus” (II II 103,3). Escreve Clara Lubich: “Trata-se de amar o próximo como Deus o ama… se permanecerem restos de afeto, é sinal que o irmão foi amado, ou por nós ou por ele mesmo, e não por Jesus: aqui está o mal” (Meditações, 17).

Mas esta caridade é um amor real pelo homem. Por sinal, o mais forte dos amores possíveis Que ilusão a daqueles que dizem: “Não quero este vosso amor; quero um amor humano…” (SALET, 164). Oh! Não querem ser amados com amor divino; só com o amor humano. Será, este o mais forte? Mais autêntico? Mais sincero? Que ilusão!

Iludem-se, esquecidos do egoísmo humano, que brota sempre como tiririca. Iludem-se, desconhecendo o amor infinito de Deus Pai e de Jesus Salvador. Maior amor não é possível. E é com este amor que o cristão ama o próximo!

Entenda-se: o cristão autêntico. Não os cristãos de meia tigela, que são uma legião, mas os Santos, que realmente amam a Deus acima de tudo e até acima do próximo, e brilham pelo fulgor da caridade fraterna. Como exemplos, só dois, bem conhecidos: São Vicente de Paulo e Carlos de Foucauld.

 

Deus versus Homem

 

O amor de Deus não faz concorrência com o do homem.

Aliás, se o fizesse, o homem perderia fatalmente.

Enfim, Deus vale algo mais, para ser mais amado.

Deus não reclama pão ou dinheiro de esmola, que faria falta aos subdesenvolvidos. Deus ama para dar, e nós amamos no próximo os dons de Deus, atuais ou futuros.

Devemos ajoelhar-nos aos pés de Jesus, quebrar o vaso de alabastro e derramar o óleo perfumado do nosso amor sobre os seus pés, e apesar do protesto dos economistas (Jo 12,7). Jesus está à nossa espera.

Mas uma vez com a palavra, Salet (168): “O homem tem um valor autêntico, somente pela sua relação com Deus. Como criatura não tem, em si mesmo, solidez e consistência, nem a razão de sua própria amabilidade. Ele não é amável, senão dentro de suas possibilidades, do seu mistério, do seu futuro divino… O homem não é verdadeiramente amado se não é amado por Deus”. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

 

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