ANTOLOGIA

Antologia imperfeita do amor perfeito. Do Jardim do Eleitos, flores e modestas ervas.

 
O Sufi

 
 

 

Os sufis do Islão, filhos do deserto, têm o gosto da solidão, do infinito, do mistério das estrelas do céu noturno. Jalal al-Din al-Rumi conta-nos: “Ele bateu à porta do bem-amado. Uma voz de dentro perguntou: Quem é? Ele respondeu: Sou eu. E a voz respondeu: Esta casa não é capaz de conter nós dois, a mim e a ti. E a porta permaneceu fechada. O amante retirou-se para a floresta, orou e jejuou na solidão. Um ano depois regressou. Bateu de novo à porta e de novo a voz perguntou: Quem é? Respondeu: Sou tu. E a porta abriu-se de par em par”. O amor divino reduz-se a um só. Ou melhor: ele suplanta o amor próprio. “Feliz o homem que mereceu chegar a este (quarto) grau onde se ama a si próprio só por Deus” (São Bernardo)

 
Sto. Agostinho

 
 

 

“Deus não te proíbe amar as criaturas, mas só de afeiçoares a elas como última felicidade. Podes apreciálas e louvá-las, a fim de amar Criador.

Irmãos! Se o esposo manda fazer para a sua esposa uma aliança, e esta chega a amar mais a aliança recebida do que o noivo que lha deu… É como se dissesse: basta-me esta aliança; mas não quero ver mais a cara dele… Tu amas o outro em vez do esposo. Tu amas o anel em vez do noivo. Ele te deu este penhor a fim de ser amado através do presente.

Assim, Deus te deu tudo. Ama, pois, quem tudo fez.

E ainda mais: quer dar-te a si mesmo quem tudo fez. Se tu porém amas as criaturas e fazes pouco do Criador, bem se vê que teu amor é falso.”

Recém convertido, Sto. Agostinho lamenta: “Tarde aprendi a amar-te, ó eterna beleza; tarde na vida”.

 
São Bento

 
 

 

Deixou-nos a sentença lapidar: “Nada seja anteposto ao amor de Cristo” (4,21). E ele retorna ao tema: “Nada tenham em maior apreço do que o amor de Cristo” (5,2).

“Não prefiram absolutamente nada a Cristo” (7,11). “Devem viver não no temor do inferno, mas no amor de Cristo” (7,69). “Pelos graus da humildade o monge chega logo à caridade, àquela que sendo perfeita expulsa o temor” (7,67).

 
Sta.Margarida de Cortona

 
 

 

“Como é fácil salvar-se. Basta amar”.

Jesus: “Quero enriquecer-te da minha graça. Tanto que nenhuma mulher do século tem recebido igual. Amame, portanto, pois eu te amo. Publica meus louvores e eu te louvarei e far-te-ei louvada no mundo inteiro”.

Jesus: “Terei cuidado de ti em tudo, porque és minha filha, minha amiga, minha irmã, a que eu mais amo entre todas as mulheres que agora vivem na terra… Serás grande no céu… Não quero que proves alegria do mundo, porque eu também não as tive. Tu me seguirás, partilhando minhas dores. Estou te preparando tribulações, porque ainda estás a caminho, não na pátria. Estarei contigo. Até o fim da tua vida crescerás, sem cessar em seu amor”.

Ângela de Foligno

 
“Sétimo dom, o amor. Dá-me ter o amor, porque os anjos e os santos não pedem outra coisa que ver aquele que amam e amar aquele que contemplam. Ó dom, que não há outro igual, pois é tu mesmo o Senhor!” Jesus: “Eu não te amei por fita. Não fui teu servidor só por fingimento”. Ângela comenta: “É verdade, bem verdade”.

Jesus continua: “Todos os amantes e seguidores da pobreza, da paixão, da minha humilhação são meus filhos legítimos e meus eleitos. Todos os que fixam sua mente na Paixão e Morte, e não alhures, são meus filhos legítimos; os outros, não”.

“A alma vê que só Deus existe e que todas as demais nada são”.

A Santíssima. Virgem aparece-lhe durante a missa e diz: “Sê abençoada por meu Filho e por mim, e não te preocupes com coisa alguma, senão em amar com todas as forças, pois tu és muito amada e chegarás à visão eterna”.

“Ficou-me tanta certeza, tanta luz, tanto fogo de amor divino, que andava afirmando com profunda convicção que é uma nulidade quanto se prega sobre o amor de Deus. Os pregadores não são competentes nesta matéria.

Não entendem o que estão dizendo”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR