Sta. Brígida

Jesus: “Quando criei o homem, apaixonei-me pela beleza de minha criatura, pois ela foi feita à minha imagem e semelhança.”

“Não podíamos pedir a Deus que nos criasse, mas Deus, impelido por um fogo de amor, criou-nos à sua própria imagem, numa dignidade que a língua é incapaz de dizer; o olho incapaz de ver; nosso espírito incapaz de compreender. Eis a nossa dívida para com Deus, dívida que reclama pagamento; reclama amor. A alma não pode viver sem o amor, porque foi feita de amor. Criei-a por amor, diz o Senhor Deus”.

“Ó abismo, ó Divindade eterna, ó oceano sem fundo, que mais poderias dar além de ti? Tu és o fogo que queima e jamais se extingue. Tu és o fogo que desfaz toda frieza. Fogo que derrete o gelo. Fogo, cujo clarão me fez conhecer a verdade”.

“Se é verdade que Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz, mister se faz que todo coração se transforme num Gólgota, e que os olhos não se deslumbrem mais com outras flores que não as cinco rosas vermelhas desabrochadas no jardim do Corpo de Cristo. Nenhum outro amor é permitido, a não ser o amor deste esposo de sangue.

Que sua mão esquerda ensangüentada me abrace com força… Impossível resistir-lhe”.

Num êxtase, após a comunhão, exclama: “Ó Trindade eterna, pequei todos os dias de minha vida. Ó alma miserável. Nunca te lembraste de teu Deus? Certamente, não. Se o tivesses feito, tu te terias consumido na fornalha do seu amor”.

“Em tua natureza, ó Deus eterno, eu reconheço minha própria natureza. Minha natureza é o fogo.” Jesus, sorrindo, corrige: “Eu sou o fogo e vós as centelhas”.

 

Matilde de Helfta

 

“Nosso Senhor pôs suas mãos divinas sobre as mãos da sua esposa para lhe dar todo o trabalho e todas as obras de sua santa humanidade.

Pôs em seguida seus olhos tão suaves sobre sua bem-amada, comunicando-lhe os méritos dos seus santos olhares e das lágrimas abundantes por ele derramadas.

Pelo contato com seus ouvidos deu-lhe todas as operações de seu ouvido divino.

 Pelo contato com seus lábios vermelhos, todas as palavras de louvor, de ação de graças, de petição e até mesmo de suas pregações públicas.

Enfim, uniu seu doce Coração com o de sua bem-amada e aplicou-lhe o fruto de todo o seu trabalho de meditação, de devoção, de amor, e enriqueceu-a de todos os seus bens.

 Então, esta alma, toda incorporada em Cristo, derretida pelo amor como cera pelo fogo, recebeu o selo da semelhança divina. Tornou-se uma só coisa com seu bem-amado”.

Ela viu abrir-se a chaga do sagrado Coração e ouviu dizer-lhe: “Contempla toda a extensão do meu amor. Como meu Pai me tem amado, assim eu vos tenho amado…

Quando a lança abriu o meu lado, eu ofereci a todos o meu Coração para beber a vida, a todos que em Adão tinham bebido a morte; a fim de que todos se tornassem filhos e herdeiros da vida eterna”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR 

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