Juliana de Norwich, 1430

“Nosso Senhor, mostrou-me, na palma da minha mão, uma coisa pequenina, do tamanho de uma avelã, redonda como um bolinha. Olhei, pensando: o que será isto? Foi-me respondido: “É uma figura de tudo quanto foi criado”. Como estranhei que isto pudesse subsistir, ouvi a resposta: “Subsiste, sim, e sempre subsistirá porque Deus o ama. Tudo o que existe, deve sua existência ao amor de Deus”.

“De todos os sofrimentos que conduzem à salvação, este é o maior: ver sofrer o Amor”.

Jesus: “Então, estás bem contente por que padeci por ti?” “Oh, sim, muito agradecida, bendito sejas.” “Se estás satisfeita, eu estou mais ainda. Para mim é uma alegria, um prazer, uma satisfação imensa, ter sofrido minha Paixão por ti. Se pudesse sofrê-la de novo, bem que o faria”. “Estás contente? Se é assim, estou contente também.” É como se dissesse: “Em recompensa de minhas dores, só quero uma coisa: teu agrado e contentamento”.

“Todo radioso, mostrou-me Jesus, seu coração transpassado pela lança: Vê, quanto te amei”. “Queres ver a Senhora? Ela é, depois de mim, a alegria maior que eu te possa revelar. Ninguém me agrada e me honra tanto como ela. Por amor de ti, fi-la tão grande, tão nobre, tão bela: estou satisfeito, e queria que estivesses também”.

“Convém que haja pecado. Mas não te preocupes.

All shall be well: tudo vai acabar bem. O pecado de Adão foi a coisa mais detestável que se fez ou será feito até ao fim do mundo… Considera como a satisfação gloriosa oferecida a Deus lhe é infinitamente mais agradável e presta-lhe mais honra do que o pecado lhe tem causado ofensa.

Tenho a possibilidade de fazer que tudo vá bem. Tenho o poder. Tenho a vontade. Sim, farei que tudo corra bem.

Tu verás”.

“Para mim é uma alegria, um prazer que nunca acabará, o ter sofrido a Paixão por ti. Tudo irá bem. Tem confiança.

Algum dia tu também o verás”.

Durante toda a nossa vida Jesus nos diz: “Deixa-me ser todo o teu amor. Interessa-te por mim. Eu deveria bastar-te”.

“Não percebi a diferença entre Deus e a nossa substância (alma na graça santificante). Diríamos que tudo era Deus”.

“Na alegria ou na tristeza, para agradar a Deus devemos compreender que na verdade estamos mais no céu do que na terra”.

“Nossas mães puseram-nos no mundo para sofrer e morrer. Nossa mãe verdadeira, Jesus, criou-nos para a alegria e a vida eterna. Bendito seja! E ainda diz: Se pudesse sofrer mais, sofreria ainda mais”.

“Depois das nossas quedas, façamos como a criança:

Quando se machucou ou tem medo, corre com toda a pressa para junto da mãe, ou pede socorro, gritando com toda a força”.

“Serás libertada subitamente de toda a dor, doença, mal-estar e pena, e subirás. Eu mesmo serei tua recompensa.

Por que te entristeces por sofrer um pouco, quando vês que é da minha vontade e para minha glória?”

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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