Sta. Catarina de Gênova

 

 

Jesus: “Se tu soubesses o quanto eu amo as criaturas, não quererias mais saber de outra coisa neste mundo… Meu amor é infinito. Só posso amar o que criei”.

“Não quero saber de amor criado, isto é, de um amor no qual me possa deleitar. Decidi que, enquanto estiver viva, direi sempre ao mundo: Quanto ao meu exterior, faze de mim o que quiseres; mas quanto ao meu íntimo deixa-me, porque não posso, não quero nem queria que estivesse em meu poder ocupar-me com outra coisa que não seja só Deus, que trancou tão bem meu íntimo, e que de tal forma não quer abri-lo para ninguém. Sabe que a força que ele emprega é tão grande como sua onipotência”.

“Ele não faz outra coisa do que consumir esta (minha) humanidade, por dentro e por fora. Em meu íntimo só consigo ver a ele; porque aí não deixo entrar nenhum outro; nem a mim, menos ainda que os outros, porque de mim é que sou mais inimiga.

 Às vezes é necessário usar a linguagem do mundo para designar este eu: mas quando o menciono, ou quando sou chamada por outros, digo a mim mesma: meu “eu” é Deus; não conheço outro fora de meu Deus. E meu ser é Deus, não por simples participação, mas por uma transformação verdadeira, e pelo aniquilamento do meu próprio ser”.

“Vejo claramente como o homem se engana neste mundo, ocupando-se com coisas que não existem e dando-lhes valor… Tudo o que há neste mundo, por bom e bonito que seja, por útil que seja, aquilo que vês não existe, tão grande é Aquele que existe” (Jacopone da Todi).

” Nosso espírito foi criado para amar e ser feliz. Ele não encontra jamais a paz nas coisas temporais Engana a si próprio. Um possesso gritou: eu sou infeliz, privado que fui do amor. Oh! como gritava com voz desesperada! Cortava o coração”.

“Este amor de Deus liquefaz em mim toda a medula do corpo e da alma, e às vezes sinto como se o meu corpo estivesse transformado-se em pasta; e na aversão que tenho por coisas corporais, ele se me torna insuportável”.

“Ordenas-me amar meu próximo. Ora, não posso amar senão a ti, nem tolerar nenhuma mistura nesse amor. Que faço?” Jesus: “Quem me ama, ama tudo o que eu amo”.

“Deus fez-se homem, para fazer-me Deus. Quero, pois, tornar-me toda de Deus, por participação”. “Ó amor, não posso compreender, que outros, além de ti, devam ser amados. E se o compreendesse, estaria bem aflita”.

“O amor a Deus, afinal, nada mais é que o amor a nós mesmos, porque para aquele amor é que fomos criados.

O amor a qualquer outra coisa deve chamar-se propriamente ódio a nós mesmos, porque nos priva do amor único que é Deus. Por conseguinte, ama a quem te ama!

Deixa quem não te ama! Isto é, todas as coisas abaixo de Deus; porque todas elas são inimigas deste amor verdadeiro”.

“A alma perde todo o gosto… O homem fica sem alma e sem corpo, sem céu, sem terra. Ele come, bebe, gosta, pensa, quer, recorda, mas todos estes atos realizam-se sem atuação da natureza. Realizam-se acima da natureza. Porque é Deus quem dá gosto, entendimento, vontade, memória, como lhe apraz”.

“Comendo pão, a sua substância útil sustenta o corpo; e o resto inútil é eliminado, e isso é necessário, senão se toma veneno. Suponhamos que este pão te diga: “Por que me privas do meu ser? Não gosto de ficar aniquilado.”

E que respondas: “Pão, teu ser é destinado a sustentar meu corpo, que é mais digno que tu. E tu deves até desejar atingir teu fim para o qual foste criado. É este fim que te dá a dignidade; sem isto és jogado fora, como coisa inútil. E tu me deves dizer: depressa, depressa, tira-me meu ser e põe-me na finalidade para a qual fui criado”.

É o que Deus faz com o homem, criado para a vida eterna. Aproveita o que é bom. O resto é eliminado pouco a pouco. Corta a raiz das más inclinações e o galho respectivo seca.

 “Dei as chaves da minha casa ao Amor, e com elas amplo poder para fazer tudo o que é precioso, sem levar em consideração a alma, o corpo, os bens, parentes, amigos, mundo. Ele aceitou a tarefa… e eu fiquei esperando, atenta”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

Anúncios