Camilla Batista Varani – 1524
 

  

“Meditando sobre o amor de Deus, percebi que estava-me afundando num abismo sem fundo. Por duas vezes tentei retroceder, e foi-me impossível. Uma luz me fez entender três coisas:

1. Que nunca poderemos retribuir o amor com que Deus nos amou primeiro.

2. Que todo o nosso amor por Deus mais parece ser ódio; nossos louvores, sacrilégios; nossas ações de graças, blasfêmias.

3. Vi, com toda a clareza e certeza, que nem a santa Mãe de Deus, nem todos os anjos, nem todos os homens juntos são capazes de agradecer ao amor divino, de um modo suficiente, pela mais pequenina flor da terra, criada para nosso uso e deleite, tão grande é a distância entre o nosso nada e nossa miséria e a infinita bondade e grandeza de Deus.

E fui lembrando-me de todas as graças que recebera de Deus, e certamente foram algo mais que flores e ervas. E caí em desespero por causa de mim e de todas as minhas boas obras…

Cessou a luz e veio um fogo que inflamou a alma toda, um desejo sem limites, sem medida, de estar com Jesus.

Padeci um verdadeiro martírio”.

 
Sta. Teresa d’Ávila

 
Jesus: “Ah! filha, quão poucos me amam de verdade…
Sabes o que é amar-me de verdade? É compreender, que é mentira tudo quanto me desagrada” (Vida 40,1)

 “Dás bem a entender que nos basta amar-te deveras e renunciar a tudo para que tornes tudo fácil… Quem te ama de verdade, anda seguro, trilha caminho largo, estrada real” (Vida 35,13)

“Quem muito amar, verá que pode padecer muito por ele. Quem o amar pouco, pouco poderá.” (Caminho 35,7)

“Pois tudo ele sofre em troca de uma alma que o receba e o guarde com amor; seja essa alma a vossa.” (Caminho 35,2)

“Praza à sua Majestade dar-nos seu amor antes de nos tirar desta vida, porque grande consolação causará, à hora da morte, saber que seremos julgados por Aquele a quem amamos acima de tudo. Seguros, poderemos partir com o processo de nossas dívidas” (Caminho 40,8).

Ferida pela seta de fogo, vivendo num martírio de amor: “Valha-me Deus! Ó Senhor, como apertas aos que te amam. Mas tudo é pouco… em comparação a este tormento e angústia que não pode haver maior na terra.” (Morada 6,11).

Isto também é amor. “Cansei-me de o ofender, antes que ele se cansasse de me perdoar. Ele jamais se cansa de dar, nem se pode esgotar sua misericórdia. Não nos cansemos também de receber. Seja bendito para sempre. Amém” (Vida 19,15)

Ainda uma palavra de consolo na hora amarga. Jesus:

“Alimenta-te por amor de mim. Dorme, por amor de mim. E tudo o que fizeres, seja por meu amor. Como se já não vivesses tu, mas Eu” (Revelações 56)

Para terminar, um recado peculiar. Após uma visão do céu, Jesus conclui: “Vê, filha, o que perdem os que são contra mim. Não deixes de lhes dizer…”

“De algumas almas aprouve ao Senhor mostrar-me os graus que têm de glória. É grande a diferença que vai de umas às outras” (Vida 38, 3.32)

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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