São João da Cruz

 

“Ao entardecer da vida, sereis julgados sobre o amor” (Avisos 57)

“Aquela única coisa que a esposa disse ser necessária é a constância e o contínuo exercício do amor de Deus. Não há obra melhor e mais necessária do que o amor… Convém notar que, enquanto a alma não chegou a este grau de união de amor, convém-lhe exercitar o amor tanto na vida ativa, como na vida contemplativa. Mas quando já chegou a ele, não lhe é conveniente ocupar-se de outras obras e exercícios exteriores que lhe possam impedir um pouco aquela assiduidade no amor de Deus, embora sejam de grande serviço de Deus, porque é mais precioso para ele e para a alma um pouquito deste amor, e aproveita mais à Igreja (embora pareça que nada faz), do que todas essas obras juntas.

Se, pois, uma alma está neste grau de solitário amor, grande agravo lhe fariam, tanto a ela própria como à Igreja, se ainda que por pouco tempo a quisessem ocupar em coisas exteriores, embora fossem de muita importância, pois se Deus conjura que a não despertem desse amor, quem se atrevesse a fazê-lo irá ficar sem repreensão?

Porque, enfim, para este fim de amor fomos criados.

Advirtam pois aqui os que são muitos ativos e pensam abraçar o mundo com suas prédicas e obras exteriores, que dariam muito mais proveito à Igreja e muito mais agrado a Deus, além do bom exemplo, se gastassem a metade deste tempo com Deus, na oração, mesmo que não tivessem chegado a um grau tão alto de oração. Certamente fariam mais e com menos trabalho, com uma obra mais do que com mil, merecendo-o sua oração… Senão é tudo martelar e fazer pouco mais que nada, e às vezes nada, e até, às vezes, dano. Deus os livre que se comece a desvanecer o sal.” (Cânticos 29)

 

São Francisco de Sales

 

“Quando o homem pensa com um pouco de atenção em Deus, sente doce emoção no coração: o que demonstra que Deus é o Deus do coração humano”.

“Há uma correspondência desigual entre Deus e o homem para a recíproca perfeição. Não podemos ser verdadeiros homens, se não possuímos uma natural inclinação para amar a Deus mais do que a nós mesmos. Na raiz de nosso ser há o secreto aviso de que pertencemos à bondade divina, por aflitiva que seja nossa impotência de realizar naturalmente essa inclinação”.

“Nossas misérias e fraquezas não nos devem surpreender. Deus já viu coisa pior”. “O amor de Deus é, entre as virtudes, como o sol entre as estrelas. Distribui a todas sua claridade e beleza. A fé, a esperança, o temor de Deus e a penitência geralmente precedem-no, para preparar-lhe o alojamento. Mas desde que ele chega, obedecem-lhe e servem-no com as demais virtudes. E a todas as virtudes o amor de Deus anima, embeleza e vivifica com sua presença”.

“O amor é a bandeira no exército das virtudes. E todas essas devem enfileirar-se atrás dele. É o único estandarte sob o qual Nosso Senhor as faz combater, como general em chefe do exército”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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