Sta. Teresinha

“Após a minha primeira comunhão, senti nascer em meu coração um grande desejo de sofrer… O sofrimento tornou-se meu atrativo; arrebatava-me. Até então, tinha sofrido sem amar o sofrimento. A partir deste dia, senti por ele um verdadeiro amor.

 Senti também o desejo de amar unicamente a Deus; de não encontrar alegria senão nele. Muitas vezes, após minhas comunhões, repetia as palavras da Imitação (3,26): ó Jesus, doçura inefável, mudai para mimem amargura todas as consolações da terra!” (Vida 109).

“Sei que ama menos, aquele a quem se perdoa menos. Mas sei também que Jesus me perdoou mais do que a Sta. Madalena, pois perdoou-me antecipadamente, impedindo-me de cair. Jesus não esperou que eu o amasse muito como Sta. Madalena, mas quis que eu soubesse como me amou, com um amor de inefável previdência, a fim de que agora eu o ame até à loucura” (114)

“Compreendi que sem o amor, todas as obras, mesmo as mais brilhantes, como ressuscitar mortos, converter pecadores, nada são” (220)

Na tomada de hábito: “Queria tanto amá-lo; amá-lo como nunca fui amado. Meu único desejo é fazer sempre a sua vontade, enxugar-lhe as lágrimas que lhe fazem verter os pecadores” (Carta 51)

“É preciso que haja diferentes famílias, a fim de honrar especialmente cada uma das perfeições de Deus. A mim, ele deu uma misericórdia infinita. E é através dela que contemplo as outras perfeições divinas. Então, todas parecem-me brilhantes de amor

. Mesmo a justiça (e ela, talvez mais ainda que qualquer outra) aparece com um halo rosado de amor. Que doce alegria pensar que Deus é justo, isto é, que leva em conta nossas fraquezas e conhece perfeitamente a fragilidade de nossa natureza.

 De que teria medo? Deus infinitamente justo, que se dignou perdoar com tanta bondade todas as faltas do filho pródigo, não deve também ser justo para comigo que “estou sempre com ele?” (Vida 226)

“Só há uma coisa a fazer durante a noite desta vida, a única noite que só virá uma vez: amar a Jesus com toda a força do coração e salvar-lhe almas, para que ele seja amado” (Carta 74)

“No momento de aparecer perante Deus compreendo, melhor que nunca, que não há senão uma só coisa necessária: trabalhar unicamente por ele, e nada fazer por si mesma, nem pelas criaturas (Carta 216)

“A perfeição consiste em fazer a sua vontade, em sermos o que ele quer que sejamos” (Vida 32)

“Agora, não tenho mais nenhum desejo, a não ser, amar a Jesus até à loucura… Não desejo nem o sofrimento, nem a morte; no entretanto, amo os dois Mas é só o amor que me atrai…

Nada mais sei pedir com ardor exceto o perfeito cumprimento da vontade de Deus… “Agora, todo o meu exercício consiste em amar (São João da Cruz)” (Vida 223, 224)

“Compreendo que só o amor pode tornar-nos agradáveis a Deus, e este amor é o único bem que ambiciono” (236)

E ainda o remate final, com as palavras pronunciadas nos últimos meses de vida: “Não posso pensar na felicidade que me espera no céu. Uma só coisa faz bater meu coração: é o amor que receberei e aquele que poderei dar” (NV 12/VII)

Faziam-lhe uma leitura sobre a felicidade no céu. Ela interrompeu: “Não é isso que me atrai, mas o amor. Amar e ser amada e voltar à terra para fazer amar o Amor” (NV 18/VII). “Nunca dei ao bom Deus a não ser amor. Ele me retribuirá o amor” (NV 22 – VII). “Eu disse tudo: só o amor é que conta” (NV 29 – IX).

 

 

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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