Josefa Menendez, +1923

Jesus abraça-a e aperta-a ao seu coração: “Vês como te seguro para que não possas mover-te sem mim: é assim que quero prender minhas esposas”.

“Se me amas fico sempre perto de ti”.

“Tua miséria me atrai. Sem mim, o que serias?

Quanto menores fores, mais perto de ti estarei”.

“Não peço que mereças as graças que te dou. Quero apenas que as recebas”.

“Quero apenas o amor das almas, mas elas respondem com ingratidão. Quero enchê-las de graças, mas elas traspassaram-me o coração. Chamo-as e elas fogem de mim”.

Josefa foi fechar as janelas de um corredor. Aparece-lhe Jesus: “Donde vens?” “Fui fechar as janelas.” “Para onde vais?” “Vou terminar”. “Não sabes responder, Josefa: Venho do amor e vou para o amor”.

“Não tenhas medo. Sabes que é loucura de amor o que sinto por ti”.

“Dize-me que me amas. É o que mais me consola”.

“Não te aflijas demais pelas tuas faltas. Para fazer de ti uma santa, não preciso de nada. Não resistas ao que peço e deixa-me agir”.

Josefa repete na aridez: “Amo-te meu Jesus.” E de repente, Jesus responde: “Eu também”.

Ao varrer o corredor, Jesus pergunta: “Por quê estás fazendo isto?” “Por teu amor. Vê quantos ladrilhos: tantas vezes digo que te amo”.

Maria Santíssima: “É bom que sofras em silêncio, mas sem angústia. Que ames muito, mas sem sabê-lo. Se tropeças, não te aflijas demais. Nós dois estamos aqui para te levantar”.

“Se tu és um abismo de miséria, eu sou um abismo de bondade e de misericórdia. Repito mais uma vez: Pouco me importa tua miséria… meu coração acha consolo em perdoar. Servir-me-ei de ti porque és miséria. Ao que te falta, suprirei. Deixa-me fazer”.

“Tiro o bem mesmo das maiores quedas. Olha minhas chagas. Sabes quem m’as fez? O amor. Sabes quem me enterrou esta coroa ? O amor. Sabes quem me abriu o coração? O amor”.

“Venho descansar em ti. Quero que me consoles.

Que penses muito em mim. Que me ames com tal ardor que só eu ocupe teus pensamentos e teu desejo. Não temas sofrer. Sou bastante poderoso para cuidar de ti.

Não te ocupes senão em amar-me”.

“Meu coração é o trono da misericórdia. Os mais miseráveis são os mais bem recebidos. Fixei meus olhos em ti, porque és pequena e miserável. Eu sou tua força”.

“Encontro poucas almas que respondam ao meu amor. Eis o que desejo: envolver-te, consumir-te a fim de ser eu quem viva em ti”.

Jesus segura seu coração na mão: “Eis a prisão que te preparei desde toda a eternidade”.

“Miséria e nada, eis teu nome. Quem é pequena é ainda alguma coisa. Mas tu Josefa, tu és nada. Servir-meei de ti para mostrar que amo a miséria, a pequenez e o nada. Darei a conhecer às almas o quanto meu coração as ama e lhes perdoa, e como suas quedas me servem de complacência. Sim, escreve isto: de complacência.

Vejo o íntimo das almas seu desejo de agradar-me, consolar-me, glorificar-me. E o ato de humildade que são obrigadas a fazer, vendo-se tão fracas, é justamente o que consola e glorifica o meu coração. Pouco me importa sua pequenez. Supro o que lhes falta”.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR