“Meu coração eucarístico gosta de fazer confidências às almas. É como que uma necessidade. Mas encontro poucas almas que o compreendam. Para receber minhas confidências íntimas, requer-se uma alma muito pura, que se esforce em pensar e agir somente por mim”.

“Deixa-te penetrar por minha ternura. Dou-te meu pensamento, hoje e amanhã. Quero que me consoles, sobretudo em nome das almas consagradas”.

“Como, Jesus?” “Sempre, do mesmo jeito: com amor e sacrifício. Com a atenção voltada continuamente para o cumprimento da minha vontade”.

“Jesus fez-me ver a multidão inumerável das almas consagradas, como ele as viu no horto de Getsêmani.

Jesus disse-me: “Olha todas estas almas consagradas. A maior parte vive em união comigo. No entanto, não me retratam de um modo mais perfeito. Vê esta aqui: tu me reconhecesses nela, mas conserva apegos que me impedem de lhe conceder grandes graças. Esta outra me irradia mais; me ama mais, mas meu coração está ferido por pequenos espinhos: são as pequenas coisas que ela me recusa. Esta outra: minha imagem é apagada e fraca; mãos, pés e coração estão ligados por cordas. É uma alma tíbia e minha ação nela está paralisada…”

 “Ó Jesus, como tu és belo nesta alma!” “Ela não me recusa nada. Não vês nada que seja dela. Já me coloquei em seu lugar. Posso derramar livremente os tesouros do meu coração. Ela me consola”.

“Sentindo-me em presença da santidade infinita, exclamei:

“Ó Jesus, como sou culpável!” Jesus: “Não olhes para ti. Confia na minha misericórdia. Justamente por seres fraca e miserável é que te escolhi”.

Jesus: “Poucas almas, mesmo religiosas, consentem em viver do Infinito durante sua vida terrestre. No entanto, só o infinito pode satisfazer seu coração”.

Jesus: “Perdem-se muitas vocações sacerdotais e religiosas. É o medo da renúncia e do sacrifício. Querem

gozar livremente. E têm medo de entregar-se a Mim”.

“O mundo ofende-me (no carnaval). Os religiosos esquecem-me… sua piedade é superficial… seu amor, sem profundeza. Sou tão sensível a um amor desinteressado!”

“Procuro amor. Sou tratado como um ser ausente…

Deixa-me dar-te todo o meu amor. Gosto, tenho necessidade de dar-me todo inteiro”.

“Muitas almas consagradas não sabem o que é a renúncia perfeita. Não estão desapegados do amor próprio.

Com tão poucos posso comunicar-me quanto desejo”.

“Meu prazer é retratar-me nas almas que criei por amor. Acho prazer imenso em transformar uma alma em mim, em deificá-la, em absorvê-la toda inteirinha na divindade”.

“Jesus, como estás triste!” “Não me amam suficientemente; amam-me demais pelo próprio interesse. A maioria tem medo de amar-me por mim. São numerosos demais as que não compreendem que os sacrifícios, que lhes peço, são chamas de amor, que se evadem do meu coração divino para atrair e santificar o coração humano”.

“Como obter a graça da união?” “É só pedir. Dou esta graça a toda alma que ma pede”. “Jesus, sabes como somos fracos, caímos muitas vezes…”

Jesus: “Então? É só levantar-se com muito amor.

Retornar a mim sempre de novo. Contar comigo. Grande número de religiosos não contam comigo. Eis o que vos falta; deveis contar comigo em tudo: nas dificuldades, penas, lutas, mesmo nas quedas e faltas. Contem comigo, sem receio de contar demais.”

“Quero absorver-te a tal ponto que eu esteja em teu lugar. Quero deificar-te, assim como uni a humanidade à minha divindade na encarnação. Quero que a santidade de meu Pai se realize em ti, por mim”.

“Jesus, que queres para teus sacerdotes?” “Amor, amor. Tanto deles não me sabem amar”.

“Como é bom amar-te, ó Jesus.” Jesus: “Se soubesses como é bom para meu coração ser amado”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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