EPÍLOGO

 

1. GRANDES DESEJOS

Para gente pequena subir mais alto no céu (do amor divino) vai este capítulo. Abre tua Bíblia. Nosso Senhor te diz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de santidade, porque serão saciados” (Mt 5,8).

E ouve a voz suave de nossa Mãe do Céu: “Minha alma engrandece ao Senhor… Porque ele sacia de bens os famintos” (Lc 1,53) os famintos de Deus…

Cá na terra somos todos indigentes, pobres, paupérrimos.

Só nos resta pedir de esmola a riqueza do céu, a única que nos interessa: o amor de Deus. Ensina Sto. Agostinho “que toda a vida cristã consiste em santos desejos”. Os desejos valem pelas obras. Ao menos para nós, gente pequena, que outra coisa não temos para dar.

Morreu, no Mosteiro de Sta. Madalena de Pazzi, uma jovem de poucos anos de vida religiosa, Maria Benedita Vettori, em 1598. Ficou por cinco horas na “sala de espera”, por um pequeno ato de amor próprio. Na missa de enterro, Sta. Maria Madalena de Pazzi caiu em êxtase, vendo-a na glória “acima de muitas outras virgens, contemplando face a face a humanidade e a divindade do Verbo. – Ó Feliz de ti, que soubestes aproveitar o tesouro escondido! Ó coisa grandiosa! Poucos méritos haveria de remunerar o Verbo de Deus se considerasse somente as obras externas. Breve foi tua vida, mas grandes e ininterruptos foram teus bons desejos! Ó grandeza das obras internas tão pouco compreendidas! Mais vale um ato interno, que mil obras exteriores. Ó filhinha minha, quando ainda estavas conosco na terra, caminhando, comendo, trabalhando, sempre permanecias unida a Deus. Não me admiro que te tenha chamado tão depressa para junto de si. Agora, na glória, não andas mais de cabeça baixa, mas com passo triunfante e venturoso marchas através dos coros celestiais. Deus seja louvado!”

Bons desejos são atos de amor. E um único ato de amor é mais valioso que mil obras exteriores. “Um único ato de amor a Deus é mais perfeito do que uma estátua de Miguelangelo. Mais firme do que o fundamento dos Alpes. Todas as coisas, em comparação, não passam de bolhas de sabão… Um ato de amor é uma obra perfeita.

Atua mais que qualquer outra obra. E é tão fácil: um olhar da alma para o alto… Rápido como um raio, atravessa o universo e brilha como estrelinha no trono de Deus (F. W. Faber)

Ó riqueza do amor divino! Cada palavra, um ato de amor. Cada gesto, um ato de amor. Os mil afazeres que tentam distrair-nos, mil atos de amor. Cada passo, um ato de amor. Cada suspiro da alma nos conduz para mais perto de Deus. Cada gemido, um sorriso para Deus!

Portanto, bons desejos são ações, são obras salutares que abrem o Coração de Jesus; abrem as portas do céu. Consolo para nós, pobres de espírito, indigentes da graça. Basta desejar. E a bondade de Deus aceita a boa vontade. Contenta-se com o bom afeto do coração. Assim, abrem-se novos horizontes, nascem novas esperanças.

Das míseras criaturas que nós somos, fracas, subnutridas, subdesenvolvidas, nosso Pai do céu, contenta-se em receber bons desejos. Que alívio! Pois desejamos realmente, sinceramente ser bons. Desejamos amar a Deus acima de tudo; sinceramente, até mesmo acima do nosso próprio coração. Mas, quantas vezes nos obedece e nos põe diante de fatos consumados… Podemos, pois, alegrar a Deus com bons desejos…

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

Anúncios