Nossos bons desejos têm valor salutar, porque são atos de amor. Por serem fáceis de fazer, têm o peso do amor divino. Valem perante um coração enamorado, como é o coração de Deus por nós. Eis porque aquela irmãzinha, colega de Sta. Maria Madalena de Pazzi, pôde viver triunfante na glória, “porque amou”.

Valem nossos bons desejos, porque Jesus supre o que falta. Supre com prazer, basta convidá-lo para isto.

Supre com os recursos imensos do seu Coração, que encerra os méritos infinitos da paixão.

Sta. Gertrudes escusa-se: “Ai de mim, indigna que sou de estar com os coros celestes”. E ouve a resposta da Santíssima Virgem: “Tua boa vontade supre tudo”. Jesus reafirma: “Em virtude da minha divindade, dou-te pleno perdão de todos os teus pecados e negligências”.

Jesus oferece-se para substituir, no coro das monjas, uma cantora rouca e desafinada. E como nós, em nossa vida cotidiana, cantamos também tão desafinados o louvor de Deus, convidemos Jesus a cantar por nós.

Jesus repete: “Minha bondade aceita o desejo e a boa vontade como ato… Basta que o homem deseje ter grandes desejos, mesmo que não os consiga realizar: perante Deus, vale o que deseja desejar”. É a realização de Rm 8,34 e Hb 7,25: “sempre intercedendo por nós”. “O que descuidastes (foi um dia de faxina geral no mosteiro) eu supri”.

Sta. Matilde, mestra e amiga de Sta. Gertrudes, recorre também a esta substituição espiritual; já citamos os textos respectivos.

 

Valem nossos bons desejos, porque nossas obrasvirtudes espirituais não são nossas. São obras de Jesus.

Ele tem de operar em nós “tanto o querer como o fazer” (Fl 2,13). Valem nossos bons desejos porque somos parte do Corpo místico. Valem porque os murmuramos ao ouvido de Jesus, nosso irmão.

Sejam grandes nossos desejos, porque se endereçam a Deus, imenso como o céu. Sejam dignos de um Deus infinito, infinitamente poderoso, infinitamente bondoso, infinitamente amável. Adverte Sta. Teresa: “Não restrinjamos nossos desejos. Sua Majestade é amigo de gente corajosa e animada… Espanta-me ver quanto importa neste caminho animar-se a grandes coisas” (Vida 13,2)

Deus gosta de gente de iniciativa. “Tudo posso naquele que é minha força” (Fl 4,1).

 

2. CONFIANÇA

Mais um capítulo para gente desanimada, para gente sem muita fé no amor de Deus. Disse Jesus a Sta. Catarina de Sena: “Os pecadores, que no fim da vida desesperam por causa de seus pecados, ofendem-me com esse único pecado mais do que com todos os outros, pois destroem, por assim dizer, minha misericórdia infinita, que é infinitamente maior que toda a malícia humana”.

Disse Jesus a Sta. Brígida: “Eu sou o supremo amor.

Tudo quanto fiz desde toda a eternidade, fi-lo por amor; e tudo quanto faço, e futuramente farei, procede e procederá de meu amor. Meu amor aos homens ainda é tão grande, tão incompreensível… como foi quando salvei os eleitos por minha própria morte. E se fosse necessário morrer tantas vezes quantas almas há no inferno, com a máxima prontidão e com o máximo amor sacrificaria minha vida por cada alma”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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