3. PRESENÇA DE DEUS

O exercício da presença de Deus é a realização concreta desse capítulo sobre o “Amor de Deus”. É uma das práticas fundamentais da espiritualidade. São Francisco de Sales diz certa vez (Filotéia 2,13), e Sto. Afonso o repete, que em certas ocasiões e necessidades, até a meditação diária pode ou deve ser dispensada. Mas o exercício da presença de Deus é indispensável e insubstituível.

Pode e deve ser praticada em quaisquer apuros e apertos, tribulações e doenças da existência humana.

Consiste em “pensar” atos de amor de Deus. Não é necessário recitar fórmulas, isso só atrapalha. Basta um pensamento de amor de Deus, dirigido não ao céu longínquo e distante atrás das estrelas, mas ao céu que está dentro de nós.

O pensamento seja freqüente. Seja renovado com uma suave pertinácia no decorrer das horas. Ideal seria o pensamento-amor contínuo, ininterrupto. Mas não é possível.

Nossos nervos não suportam uma tensão tão continuada.

Quem tem força de vontade e vive num ambiente escolhido consegue a realização quase ininterrupta, mas corre o perigo de um esgotamento nervoso, porque os nervos gastam assim seu “fosfato” sem ter os necessários intervalos de descanso para recuperar os gastos. Tome-se em consideração que os nervos não são de aço.

Portanto, uma pertinácia suave, tolerante, paciente.

Tolerante com as numerosas interrupções e todavia teimando suavemente na freqüência do pensamento-amor.

Pertinácia impertinente, mas suave e humana. Em geral, as mil distrações dos mil afazeres de cada dia encarregam-se de fornecer as pausas necessárias.

Existe o pensamento-amor contínuo, ininterrupto, de sol a sol e noite a dentro. Mas é dom, graça. Nossa tarefa é a perseverança suave e amorosa em saudar o Deus presente em nós com assiduidade e freqüência. Até ele querer dar-nos esse dom extraordinário, por espaços de tempo mais ou menos prolongados. E nos intervalos, contentemo-nos (e Jesus concorda) em executar nossa tarefa cotidiana, nossos trabalhos e afazeres, por amor de Deus, e porque também esses são atos de amor divino. “Tocar no órgão uma peça de Bach e pensar durante esse tempo intensamente e ininterruptamente em Deus, é sobrenatural” (Fidelis Weiss, OFM 1923)

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

Anúncios