5. ORAÇÃO
 

 

 
“Não se deveria contar o tempo passado em oração, mas o tempo em que não se reza… Questão de amor…

 

Rezar sempre? Quais novos “Nicodemos”, respondemos: impossível! Oração é vida teologal em exercício… vida da alma em Deus… vida das três Pessoas Divinas em nós. É para isso que a alma foi feita” (Lochet)

Rezar é dever. Dever honroso. Rezar é falar com Deus Altíssimo. Nunca o homem é tão grande, como quando reza. Nunca o homem é tão santo como quando reza. Nunca o homem é tão celestial como quando reza.

Um homem rezando, um sacerdote rezando, uma mãe rezando, uma virgem rezando, uma penitente rezando, uma criança rezando, visões do céu na terra.

É a queixa do Papa. “De uns tempos para cá, até os bons, até os fiéis, até os consagrados a Nosso Senhor, rezam menos” (Paulo VI, 13.8.1969)

“Sem uma íntima contínua vida interior, de oração, de fé, de caridade é impossível conservar-nos cristãos” (20.8.1969)

Salazar visita um colégio. “Mais importante é saber ler ou saber orar? Sem dúvida: saber rezar. Porque rezar é ler no livro da vida eterna”.

Há no universo uma força misteriosa que atinge e agita até a Onipotência divina: a prece, a oração. É a realidade do Reino dos céus na terra, realidade número dois.

Sem oração, própria ou alheia, ninguém se salva. Sem oração, ninguém consegue chegar até Deus.

O santo sacerdote, Eduardo Poppe, formulou a sentença:

“Trabalhar (trabalho sacerdotal, apostolado) é bom; rezar é melhor; e sofrer, melhor ainda”.

Os santos têm maior sensibilidade sobrenatural para captar as forças ocultas da graça. Jesus propriamente não exige virtudes e penitências para entrarmos no céu: exige apenas a oração. O céu é conquistado gratuitamente.

Ninguém terá desculpa. Basta pedir e o receberá de presente. Ninguém na eternidade pode se queixar de sua sorte. “Por que não rezou?”, perguntará Jesus. “Eu teria ajudado”. Deus quer manifestar sua total liberalidade.

Somos incapazes, por natureza, de adquirir o céu por mérito.

Tudo é bom. Tudo é graça. E a graça só é dada a quem pede, como pobre e humilde mendigo. Oração é condição prévia da graça por decreto divino. Quem reza, se salva. Quem não reza, se perde, a não ser que arranje um suplente.

 
Evangelho

 
Os quatro evangelistas fornecem-nos, sobre a oração, material em abundância: prova que a oração foi tida na Igreja primitiva como assunto importante.

Prova que Jesus falou da oração com empenho. Ele insistiu na importância da oração, na vital oração de súplica, desde o início da vida pública. Começa a insistir no Sermão da Montanha: “Pedi e recebereis Batei e abrir-sevos-á. Todos os que pedem, recebem” (Mt 7,7). E retoma no sermão de despedia, o mesmo assunto, três vezes:

“Tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, eu o farei; tudo quanto pedirdes a mim em meu nome, eu o concederei” (Jo 14,13). “Se permanecerdes em mim (pela graça santificante), pedi o que quiserdes e alcançá-lo-eis” (Jo 15,7). E, finalmente (Jo 16,23): “Em verdade, em verdade eu vos digo: se pedirdes alguma coisa ao meu Pai em meu nome, ele vo-lo dará. Pedi e recebereis e será completa vossa alegria”.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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