Archive for setembro, 2010


 

MARIA BROTEL

Vítima de Oração – 1819-1888.

“Aos treze anos vi Nosso Senhor. Ele ofereceu-me a cruz: “Eis, minha filha, o que quero que carregues”.

Aos catorze anos, um dia após minha primeira comunhão, Nosso Senhor mandou-me fazer meditação todo dia. Abriu-me seu coração, dizendo que nesse coração se encontra todo o amor que ele me queria dar… Mostrou-me as almas para fazer-me rezar por elas. Mas eu achava o tempo longo; não fazia nada”.

“Entre os quinze e vinte anos, no dia da comunhão eu fazia uma meditação de uma hora. Mais tarde, uma hora e meia. Nosso Senhor pediu ainda mais Portanto, fiz duas horas de meditação, depois três”.

Dos 24 aos 26 anos: “Minha filha, eu quero que faças quatro horas de oração por dia.” Achei que era longo demais. Mas foi preciso obedecer”.

1861: “Nosso Senhor, Nossa Senhora e São José vieram mostrar-me as almas que morrerão nesse dia. Sinto grande pesar, pois vejo quais se perdem”.

1862: “Jesus faz-me sofrer pelas almas. Unida a ele, eu sobrevoava todo o universo. Via por toda a parte, almas na agonia”.

1863: “Sofro todas as noites pelos agonizantes. Muitos caem no inferno. Muitos vão para o purgatório. Quão poucos vão diretamente ao céu”.

1870: “Vejo que, se a oração parasse, logo a justiça se abateria sobre o mundo… ruínas… sangue… Preces fervorosas podem salvá-lo. Jesus incita-me a trabalhar.

Tenho a eternidade no céu; mas na terra vale o tempo.

Também para a obra das almas. E o tempo passa; ele é precioso”.

“Continue rezando”, repete-me Jesus sempre de novo.

“Vi o Pai. Impossível descrever a imensa bondade de Deus Pai”.

“Eu pensava que no Pai havia sobretudo majestade e onipotência. Mas eu vi, sobretudo e acima de tudo, amor”.

Ele me disse: “Filha, os homens não me conhecem. Por isso, eles me servem com temor de escravo, julgando-me severo. Mas tu estás vendo meu amor pelas criaturas, e meu desejo de vê-las felizes…” Ele falou de sua bondade paternal para comigo, de seu amor pelas criaturas, durante quatro ou cinco horas. Jesus apareceu, estava triste e disse-me: “Desde muito tempo ando à procura de uma alma que queira entreter-se comigo por longo tempo na oração, e não encontro. Ninguém quer entrar dentro de si e de mim. Não há ninguém que queira conversar comigo. Ou não têm tempo, ou acham o tempo longo. Procuram a si próprios e não ao Pai nem a mim.

Assim também não chegam à santidade… tempo perdido… graças perdidas”.

“Jesus, toca essas almas, falei, modifica-as”. “Mas como fazer, se só na oração posso dar luz e amor?” Então Jesus fez-me ver melhor a triste cegueira de tantas almas. Fiquei espantada vendo-as afundar-se dia por dia numa noite profunda; precipitar-se no inferno por si mesmas, sem que os demônios tivessem muito a fazer. Jesus estava profundamente triste, chorava ao mostrar-me tudo isso. Ele recomeçou: “Afirma-se que Deus não reclama o que não deu. Mas eu vou exigir dessas almas tudo o que não lhes dei. Porque elas privam-se das graças por sua preguiça, por pouco caso. Porque não querem incomodarse, mortificar-se. Exigirei tudo o que lhes teria dado se tivessem sabido querer. Reclamarei delas as almas que teriam salvo”.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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Sta. Teresinha tem a idéia de ser missionária, trancando-se atrás dos quatro muros da clausura, e ficar rezando.

Leia o capítulo final para ver como deu certo.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João beting CSsR

Carlos de Foucauld: “Corramos por meio da oração, atrás dos pecadores. Em nossa prece, peçamos a Jesus para amá-lo, e peçamo-lhe que todo o mundo o ame. Ou então, creio que este é o melhor sistema, digamos-lhe toda manhã, que tudo quanto pedimos para nós, pedimo-lo também, sempre, por todos os homens sem exceção.

Dito isso, não me parece que devamos nos preocupar com os outros. Não pensemos mais nas criaturas. E falemos com o Esposo, só sobre ele e nós, como se ele e nós estivéssemos sozinhos no mundo. Quanto mais pedirmos para amá-lo de todo o coração, tanto mais faremos bem à humanidade inteira, que tem parte em todas as nossas preces”.

Ainda figure nesta antologia a palavra do venerável clérigo capuchinho, Frei José Maria de Palermo, que de moleque número um tornou-se frade santo. Dize com ele:

“Por cada pecado meu, uma alma”.

Sentindo o fervor espiritual, pensamos expressá-lo bem com mortificações corporais, sempre úteis e às vezes necessárias. Tal como sóror Consolata Betrone, +1946. Havia um pecador a converter: seu tio de nome Felice, mas de fato infeliz, muito infeliz. Até os sessenta anos nunca se confessara; nunca recebera a santa comunhão.

Depois de ela ter passado uma semana a dormir sobre tábuas, com disciplina diária e dois cilícios por dia, ao fim da novena Felice declarou-se disposto e até satisfeito de ir para o inferno. Foi para Consolata o sinal. Entregou à superiora todos os seus instrumentos de penitência.

“Jesus não quer isto de mim”. Jesus: “O cilício de penitência que quero de ti é amar-me sem cessar”. E tio Felice converteu-se pelos atos de amor de Consolata.

Cada alma recebe de Deus sua missão, sua melodia própria. Uns trabalham com ferro e fogo. Outros só com o fogo do amor de Deus.

Disse Elisabeth da Trindade, com graça peculiar, que quer “fazer Jesus esquecer as ofensas, à força de amor”.

Terminamos o capítulo com Charmot: “A oração salva muito mais almas que a ação. E toda ação tira a força redentora da oração que a fecunda”.

Sta. Margarida Alacoque: Preparando-se para comungar, Jesus lhe fala: “Vê minha filha, o mau tratamento que recebo nessa alma que acaba de comungar; tibieza, frieza, pouco caso. Ela renova todas as dores da minha Paixão. Quero que tu faças desagravo a meu coração, oferecendo ao Pai o sacrifício cruento da cruz e toda a tua pessoa, para reparar as indignidades que recebo nesse coração”.

Nosso Senhor apresenta cinco corações infiéis, dizendo:

“Encarrega-te desse fardo e participa das amarguras do meu coração”.

“Minha filha, meu amor me fez sacrificar tudo pelos homens, sem receber deles retribuição. Quero que tu supras esta ingratidão”.

Certa vez, Margarida sentia pesar sobre ela a santidade de Deus; sentia-se esmagada. “Isto é só uma pequena amostra. As almas justas suportam-na, mas se ela cai sobre os pecadores?…”

Catarina Emmerich a vidente da Paixão, recebera do céu, desde pequena, a tarefa de rezar pelos pecadores.

Diz ela: “Desde pequena rezei muito, menos por mim do que pelos outros, a fim de que se salvem. Nisso fui bem ousada, pensando: Jesus pode tudo e ele gosta que lhe peçamos com coração e coragem”.

O santo Cura d’Árs foi grande devoto dos pecadores:

“As almas custaram tantos sofrimentos a Jesus. Que lástima se perderem eternamente… Oh! esses pobres pecadores que estão na eminência de se decidir pró ou contra Deus! Um Pai-nosso, uma Ave-Maria pode inverter a balança ao seu favor. Rezemos pela conversão dos pecadores!

É a mais bela e a mais útil das orações, por quanto os justos já estão no caminho do céu. As almas do purgatório estão seguras de entrar nele. Mas os pobres pecadores… os pobres pecadores… E quantos estão em suspenso! Rezemos. Todas as devoções são boas, mas nenhuma melhor que essa”.

Contam dele a seguinte entrevista, “Tudo pela conversão dos pecadores”:– Mas, sr. Cura, se Deus vos propusesse: ou subirdes ao céu agora mesmo, ou ficardes na terra para trabalhar na conversão dos pecadores?

– “Creio que ficaria”.

– “Será possível? Os santos são tão felizes. Lá não há mais tentações, não há mais misérias…”

Com um sorriso angélico, respondeu:

– “É verdade, mas os santos são tão felizes; são uns capitalistas (vivendo dos juros); não podem mais, como nós, glorificar a Deus pelo trabalho, pelo sofrimento, pelos sacrifícios para salvar almas”.

– “E ficaríeis na terra até ao fim do mundo?”

– “Do mesmo modo”.

– “Nesse caso, teríeis muito tempo pela frente. Levantar-vos-ieis também de madrugada?”

– “Oh! Sim. À meia-noite. Não me incomodo. Seria o mais feliz dos homens”.

Sta. Bernadete na gruta, recebeu da Mãe de Jesus a ordem de rezar todos os dias pelos pecadores. Ao morrer, ficou preocupada e só sossegou quando o confessor lhe prometeu continuar rezando pelos pecadores, em seu lugar e em seu nome.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

 

Sta. Verônica Giuliani: Jesus: “Eu sofria muito carregando a cruz no caminho do Calvário. Sofria muito mais ainda, quando do encontro com minha Mãe. Mas o maior tormento foi a vista contínua do grande número de filhos meus que não iriam querer aproveitar sofrimentos tão atrozes”.

“Se tu soubesses quão numerosos são os pecadores. Por toda parte só há pecadores e pecadoras. E cometem tão grandes pecados que merecem castigo e não perdão. Tornaram-se animais Não pensam em Mim, nem em suas almas. Ofereço graças, poucos aceitam…”

 Verônica: “Vou amar-te por mim e por todos esses que não te amam”. Jesus: “Eis o que quero de ti… É necessário que fiques ainda alguns anos na prisão terrestre, a fim de que me ganhas muitas almas”.

Verônica experimentou que rezar pelos pecadores é mais excelente remédio contra a aridez.

Benigna Cojos, 1615-1692

“Desde quinze anos, em cada comunhão tua, concedo, a teu pedido, algum herege, principalmente de Genebra (naquele tempo, ainda era herege a República)… Peça-me a salvação do meu povo (Sabóia). Peça-me que eu lhe perdoe. Emprega para esse fim teus dez dias de retiro”.

Maria da Encarnação (Ursulina) “Meu espírito percorria o mundo inteiro o mundo inteiro, para buscar as almas resgatadas pelo sangue do Filho de Deus. Eu trazia em mim, um fogo que me consumia.

O espírito apostólico, que é o espírito de Jesus Cristo, apoderara-se do meu espírito e me levava em pensamento às Índias, ao Japão, à América, ao Oriente e ao Ocidente, a toda a terra habitada. Eu via, por uma certeza interior, o demônio triunfar dessas pobres almas que ele roubava do domínio de Jesus Cristo; de Jesus que as resgatara com seu sangue precioso…

Eu ficava com ciúme; não agüentava mais; abraçava todas essas pobres almas; segurava-as em meu seio; e apresentava-as ao Pai eterno, dizendo: que era tempo de Ele fazer justiça a meu esposo. Que ele bem sabia haver-lhe prometido em herança todas as nações. E, além do mais, que Jesus prestou satisfação com seu sangue por todos os pecados dos homens”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR 

Madalena Vigneron: “Vê como me maltratam… mas  ouve da boca de Jesus: todos esses tormentos não me importariam, se eles quisessem converter-se a bons sentimentos. Mas eles se recusam…” Jesus mostrou um rosto cheio de indignação e parecia prestes a fulminar tudo; depois, retornou sua doçura, dizendo: “Minha filha, tu não me podes fazer coisa mais agradável, do que empenhar-te por esses pobres miseráveis”.

A DEVOÇÃO PELOS PECADORES

Numerosos os afilhados dessa irmandade. É antiga.

Já Orígenes, +250, a conhece e recomenda: nas guerras de Deus “mas vale um santo rezando, do que uma multidão de soldados batalhando… procura, pois, em primeiro lugar a justiça de Deus”.

O mundo desse fim de século XX, vive na angústia da guerra atômica. Mais angustiante nos devia ser o trágico fim de tantas almas imortais Cada alma humana é uma chance de Deus.

Nossa Senhora precisou lembrar-nos em La Salette, Lourdes, Fátima, o mandamento da Bíblia: “Rezai pelos pecadores” (Tg 5,16). Nossa mais decepcionante negligência, a mais vergonhosa das nossas omissões é abandonar esta tarefa grandiosa… de praticar a misericórdia”.

Sta. Teresa d’Ávila confessa singelamente, quantas vezes Nosso Senhor atendeu suas orações, livrou almas do pecado e conduziu outras a uma vida mais perfeita:

“Nem posso contar tudo” (Vida 39,5). E segue uma antologia de textos.

Sta. Gertrudes passou mal à noite, com febre alta, e julga poder dispensar-se das matinas da meia-noite. Mas a voz conhecida de Jesus chama: “Levanta-te, levanta-te e vai rezar pelos pecadores”.

Sta. Matilde. Jesus: “Vamos, faz-me o favor e reza pelos pobres pecadores que eu resgatei por preço tão caro”.

Sta. Gertrudes: “Vê como os pecadores são feridas e ulcerações do corpo de Cristo. Tocar nelas com mãos ásperas, dói”.

Sta. Catarina de Sena já estava morta, havia quatro horas na câmara ardente, quando de repente “acorda”, rompendo num choro sentido. “Por que choras?” “Já estive no céu e tenho de voltar à terra… para salvar mais almas. Vi a essência de Deus… os tormentos do inferno e do purgatório. Impossível descrevê-los. Se os pobres homens tivessem a mínima idéia disso, eles prefeririam sofrer mil vezes a morte, do que padecer lá, ainda que só um dia”. E Jesus fala: “Vês que glória perdem e quanto padecem os que me ofendem. Retorna pois à vida, mostra-lhes seus enganos e o perigo que os ameaça. A salvação de muitos exige teu retorno”.

Em outra ocasião, Jesus mostra-lhe uma alma em estado de graça (não na glória), salva pela intercessão de Catarina. “Eis, por ti pude recuperar essa alma perdida.

Não te parece graciosa e bela? Quem não aceita sofrer, não importa quantas dores, para ganhar criaturas tão maravilhosas?

Eu que sou a beleza suprema, senti-me preso de amor pela beleza das almas ao ponto de descer à terra e derramar meu sangue por seu resgate, para não perder criaturas tão bonitas. Mostrei-te essa alma, para tornar-te mais fervorosa em procurar a salvação de todos.”

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CCSsR

Sta. Madalena de Pazzi: “Assim, como o Verbo Encarnado  fez de seus apóstolos, pescadores de homens, assim quis que suas esposas, as religiosas, se engenhassem em salvar almas por suas orações… Rezai pelos pecadores.

Se não o fizermos, ninguém mais o fará. Ai, quantos pecadores estão no inferno porque ninguém tem rezado por eles.”

Três séculos mais tarde, sua neta espiritual, Sta. Teresinha, dedica-se a este apostolado da oração. “Quero ser filha da Igreja, como nossa santa madre Teresa, e rezar pelas intenções do Sto. Padre o Papa, sabendo que suas intenções abraçam o universo” (Vida 320)

O apostolado da oração é mais elevado que o da palavra.

Eis as palavras de Jesus: “Erguei os olhos e vede. Vede como no céu há lugares vagos. Cabe a vós preenchê-los. Vós sois meu Moisés rezando no monte… O Criador do universo espera a prece de uma alma para salvar outras” (Cartas, 118).Disse um sábio: “Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio e levantarei o mundo. O que Arquimedes não pôde obter, os santos obtiveram-no. O Onipotente deu-lhes por ponto de apoio, a Si mesmo e a Si somente; por alavanca, a oração que abrasa com o fogo do amor. E é assim que levantaram o mundo… e o levantarão os santos vindouros, até o fim do mundo” (Vida 325)

Ainda uma voz recente (Gertrudes M.). Diz Jesus:

“Gosto que me peças e muito. Não se reza bastante pelos sacerdotes. Tenho para eles graças de reserva que eu daria se fossem pedidas… Reza, reza, minha filha, reza…”

“Que é preciso para agradar-te, Jesus?” “Rezar… de tua boca, que se torna cada dia minha pousada, e de teu coração, que é meu sacrário vivo, deveria sair uma oração contínua… Deve-se rezar muito e por grandes e imensas intenções”.

É a oração apostólica que o Vaticano II proclama e reclama. Oração do tamanho da Igreja ou dizemos melhor: do tamanho do Coração de Jesus que abraça o mundo inteiro. Nossas orações, nossa Ave-Marias correm mundo, mas rápidas que as ondas de rádio, e atingem céu, terra e purgatório. Vivemos em união com o reino de Jesus. Seja tudo por Jesus. Misturando esse gemido amiúde ao nosso trabalho cotidiano, quanto bem não faremos no reino das almas.

Vivemos em união com Jesus. Tudo é nosso. Damos e recebemos. Como o sangue, do coração percorre o corpo, mas retorna, assim podemos, ora colaborar, ora usufruir todo o bem praticado em algum ponto da Igreja, e sem prejuízo de ninguém.

De que dependem as vitórias de Deus? Da ação? Da agitação? Não. Do silêncio, da oração. O cristão nunca é mais forte do que quanto está rezando, porque então a onipotência está ao seu lado.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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A partir do século XI, as ordens contemplativas tomaram consciência de sua missão de orantes, escreve Vandenbroucke. Quer dizer: desse tempo abundam as notícias, mas das épocas anteriores falta documentação.

O elemento formal da vida do monge é a prece. Prece pelo reino. Prece pelos inimigos de Deus. Enfim, há o ro teiro de praxe para a oração, indicado no Pai-nosso. A austeridade da regra, considerada pelo monacato ocidental como martírio vitalício, a fogo lento, é complemento e sobremesa.

Aliás, os monges e a cristandade antiga nada perderam ao fixar, de preferência, como meta aquela oraçãode-fogo (do amor), que Cassiano preconiza como meta final do monaquismo. Dom e dádiva de Deus, diz ele, e a descrição quadra perfeitamente com o que hoje chamamos de contemplação mística. Ora, este amor abrange também os demais membros do Cristo místico, transmitindo seu calor aos frios e mornos. São João da Cruz fala deste amor de fogo e de seu imenso valor na Igreja, no Cântico 29. Antigos e modernos encontram-se.

Vem a propósito uma frase de São Tomás, raramente citada: “Quem vive na caridade, tem parte em todas as boas obras que se fazem no mundo inteiro” (Expositio in10).

Symbolum

Ainda da Idade Média uma página luminosa de Tauler:

“Todos os bons cristãos são co-redentores, pois rezam pela Igreja e sofrem as calamidades públicas e as doenças pessoais por amor de Deus. Mas de um modo insigne, colaboram os “amigos de Deus”. Deus se apraz tanto neles… Meus filhos, se não tivéssemos estes homens, estaríamos em má situação. Sobre eles apoia-se a santa Igreja. E se eles não existissem na cristandade, a cristandade não sobreviveria nem uma hora. A sua simples existência é mais preciosa e mais útil que toda a atividade do mundo. São vasos transbordantes que oferecem tudo pela Igreja”.

 Um contemporâneo anônimo, inglês, místico de profunda espiritualidade, escreve sobre a prece do monge e eremita: “Os demônios se enfurecem quando te aplicas à oração e fazem todos os esforços para impedi-la… Os homens, que vivem ainda na terra, tiram dela grande proveito, embora não saibas como. Sua força alivia as almas do purgatório em sua padecimento. E, quanto a ti, nenhum outro exercício contribui tanto para purificar-te e tornar-te virtuoso” (Nuvem da ignorância)

Sta. Teresa d’Ávila afirma que suas carmelitas contemplativas são os anjos de Deus na terra, assim como os anjos no céu constituem a corte de louvor a Deus. Como nos diz o Concílio (PC 7): “Os contemplativos oferecem a Deus o exímio sacrifício de louvor”. Depois Sta. Teresa acentua e ressalta que a finalidade de seus mosteiros é a de rezar pela Igreja, rezar pela conversão dos hereges e rezar pelos sacerdotes. “Parte-me o coração ver como se perdem tantas almas… Ó irmãs minhas, ajudai-me a suplicar ao Senhor que elas se salvem, pois para este fim vos chamou ele aqui. Esta é a vossa vocação. Estes devem ser vossos negócios. Estes os vossos desejos. Aqui se empreguem vossas lágrimas. Estas sejam vossas petições, e não as súplicas pelos negócios do mundo… Aflijo-me por ver as coisas que nos pedem… rendas, dinheiro…

O mundo está pegando fogo: querem condenar novamente a Cristo e lançar por terra sua Igreja… Irmãs, não é tempo de tratar com Deus negócios de pouca importância” (Caminho 1,5)

 Teologia das Realidades celestes: Padre João Beting CSsR

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