E, de permeio, vão três anos de pregação que repetem como um estribilho: pedi e recebereis a graça de Deus. “É preciso rezar sempre” (Lc 18,1).

E a solene promessa (Mc 11,24): “Digo-vos: crede firmemente que recebereis tudo quanto pedirdes na oração”.

E as parábolas sobre a oração: Do vizinho que bate à porta da casa em plena noite (Lc 11,5). Da viúva impertinente que força o juiz de má vontade (Lc 18,1) ilustram de maneira precisa o valor e a eficiência infalível da prece perseverante, diante de homens maus e, quanto mais, perante o “Pai dos céus”. Jesus reforça suas palavras com o exemplo. Passa noites inteiras em oração. “Dei-vos o exemplo”.

Ora, para o cristão, palavras e exemplos do Salvador têm valor de lei em todos os tempos. Sabemos que lhe seguindo as pegadas chegaremos com segurança à casa do Pai. Ao contrário, por mais atraente que seja e pareça um caminho; por mais convincentes que pareçam algumas palavras, se não concordam com as palavras de Cristo, são suspeitos; o caminho não é de Deus. Não nos é lícito fazer cortes na doutrina e no modelo “a fim de tornar o cristianismo mais a gosto de uma geração pusilânime”.

“Só Cristo é verdadeira Vida”. Só Ele.

PLUS – ValorA oração tem duplo valor: valor de mérito e valor de petição, isto é, força para alcançar graças (valor impetratório).

O mérito resulta do grau de amor de que inspira a prece, pois, afinal de contas, rezar é amar. Como disse Isabel da Trindade, ainda criança, a uma senhora que estranhou suas longas horas de adoração perante Jesus no sacrário: “Madame, nós nos queremos muito”.

Todavia, a oração tem ainda, valor a mais: a eficácia de conseguir graças do céu. E esta eficiência própria da oração, independente do grau de santidade, embora reforçada por esta, baseia-se na confiança, na fé com que pedimos. Diz São J. Crisóstomo: “Nada é mais poderoso do que a oração. Nada se lhe pode comparar. O imperador, em sua púrpura, não é tão magnífico como o devoto na oração”.

A oração é onipotente, afirmam Teodoreto e Sto. Afonso; ou em tradução moderna: “A oração realiza tudo”.

Essa força toda-poderosa não se fundamenta nas palavras que formulamos, mas nas promessas de Cristo.

Jesus até fez um juramento: “Em verdade, em verdade vos digo (segundo os rabinos do Talmud, essa expressão é fórmula equivalente a um juramento): tudo recebereis se pedirdes em meu nome”. E, em virtude dessa promessa, até as orações do pecador têm valor e força para alcançar graças. De côngruo, diz a Escola; por misericórdia, diz Sto. Tomás (II II 83,16). E o cristão, unido a Cristo como o sarmento unido à videira, tem um valor a mais a apresentar: a prece é em nome de Jesus. Eis as palavras de Cristo:

“Se permanecerdes em mim, pedi o que quiserdes e recebereis” (Jo 15,7).

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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