Igreja Antiga

 

 

Inspirados pelos Evangelhos , expressam-se os porta-vozes da Igreja antiga:

Sto. Agostinho: “A oração do justo é chave do céu.

Sobe a prece, desce a misericórdia. E por sua bondade excessiva, o Senhor dá sempre mais do que foi pedido”.

Sto. Ambrósio dá, como prova, o bom ladrão que prontamente recebeu, e mais do que pedira.

São Gregório Magno contribui para o ramalhete com o gracioso episódio do encontro-despedida de São Bento com sua irmã Sta. Escolástica. Sabendo-se na vigília da morte, ela quis prolongar os piedosos colóquios com seu santo irmão. Esse não queria atendê-la, mas retornar ao seu mosteiro. Então, Sta. Escolástica, pediu a intervenção de Deus. Pesada tempestade desabou do céu, de um céu sereno e as chuvas tornaram impossível a partida de São Bento. E a santa a triunfar: pedi e tu não quiseste; pedi a Deus e ele me atendeu com prontidão.

Raios de Sol

 

Bruxelas, 1934. A capital da Bélgica está cheia de cartazes. Grandes exposições de flores, de 10 a 15 de junho. Os pavilhões repletos de povo. Pobres e ricos, grandes e pequenos, extasiados admiram as maravilhosas formas, figuras e cores daquela florada. Alvoroço no quarto pavilhão: flores em vasos. Lá está o primeiro prêmio: um brinco-de-princesa (fúcsia). E quem teve essa sorte? Que firma, que floricultura? Ah! É, de um particular.

Um simples nome: Marta Multer.

Marta Multer é uma criança, do quarteirão dos pobres, morando num porão da rua N.N.. Sua mãe, viúva, pobre faxineira e lavadeira, luta penosamente pelo pão de cada dia. Mas conseguiu por de lado um pouco de dinheiro e comprar, para o aniversário da filhinha, um vaso de flor: um brinco-de-princesa, uma pequena muda, ainda miúda e verdolenga. Marta teve uma alegria extraordinária.

Enfim, tinha a quem dar amor e carinho. Sentia-se menos sozinha e menos triste, durante as longas horas de ausência da mamãe no serviço. Dedicou todo o carinho à sua florzinha. Os raios dourados do sol penetravam naquele porão só por fresta estreita, e só por algumas horas, rodeado como estava pelas altas paredes de tijolos vermelhos dos prédios alugados para pobres. Mas o amor é engenhoso. Toda manhã, mal apontava o sol no pátio, Marta pegava sua florzinha e colocava-a de modo a receber bem de cheio os raios do sol. E, à medida que eles avançavam, mudando de direção, Marta também mudava sua florzinha, pondo-a sempre em meio à luz e ao calor do sol. Fazia assim com cuidado amoroso, até ao cair da tarde. E graças a tão carinhoso trato, e graças ao raio de sol, a plantinha desenvolveu-se tão maravilhosamente, que mereceu o primeiro prêmio.

A criança somos nós. A flor é nossa alma. Os raios do sol: Deus e sua graça. Deixemos o sol divino irradiarse sobre a nossa alma, os seus raios na oração, na adoração diante do sacrário, por longas horas. E nossa alma também florirá, e ganhará o primeiro prêmio no reino dos céus.

É do Cura d’Ars a comparação. O peixe nunca se queixa de ter água demais; assim, o bom cristão nunca deve se queixar de ficar com Deus por demasiado tempo.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

Anúncios