O Mistério

 

 Estamos perante o mistério da oração. Quem reza é um ser miserável, saído do nada. Miserável em sua origem, em sua conduta, pecador, inimigo de Deus. Mesmo depois de convertidos em amigos, quão mesquinhos, quão egoístas somos perante Deus (Que graça tem para Deus, prestar ouvidos a um ser de nossa laia?)

Mistério! “Onde rezamos? Reparemos bem: seja onde for, sempre estamos no seio de Deus. Estamos nele, como o peixe perdido nas águas do mar… Em toda parte, ao formular preces, nossos lábios tocam, roçam o ouvido de Deus (sem que o sintamos; se o sentíssemos, morreríamos de susto e de felicidade). Ele ouve sempre o murmúrio de nossos lábios (e corações). A qualquer distância, com perfeita nitidez. E os gemidos, ouve-os ainda melhor”.

“Para falar com Deus, não é necessário talento. Eloqüência e oratória são inúteis. Cartas de recomendação (dos grandes desta terra) são contra-indicadas, e em nada favorecem. Miséria e humildade ainda são a nossa melhor recomendação. Nada de cerimônias. Nada de rubricas e etiquetas a observar. Basta a fé que transporta montanhas” (F. W. Faber 1. c.)

Eficácia prometida: “Pedi e recebereis”. Palavra de rei não volta atrás. E Deus é mais que rei. E Deus, assim segreda-nos Tertuliano, gosta de ser importunado pela oração.

 

ORAÇÃO APOSTÓLICA

 

No planalto andino cresce uma palmeira de rica folhagem que os indígenas chamam de tamai caspi, árvore de chuva. As folhas dessa palmeira têm um poder estranho: absorvem a umidade da atmosfera e deixam-na cair no chão como gostas de orvalho. O chão ao redor está sempre úmido, mesmo na maior seca.

Cristão, sê árvore de chuva para teu próximo atraindo o orvalho da graça de Deus sobre ele.

 

Apostolado da Oração

A tua salvação eterna depende de tua oração. Mas não percas muito tempo contigo mesmo. Reza pelos outros.

Entra no Apostolado da Oração. Não na confraria que o Pe. Ramière SJ. fundou no século passado, mas na irmandade na qual entramos pelo batismo: na corporação do corpo místico de Cristo. Vivendo nesse organismo sobrenatural, cujo chefe e cabeça é Jesus, temos poder e dever de interceder, de rezar pelo próximo. Já São Tiago recomenda-nos: “Rezem uns pelos outros para se salvarem” (5,16). “Quem dá um copo d’água ao sedento, não perderá sua recompensa” (Mc 9,40); quanto mais…

Ângela de Foligno, no dia da morte, afirma a seus discípulos: “Garanto-vos que recebi mais graças de Jesus quando chorava os pecados dos outros do que quando chorava os meus. O povo vai achar graça, que alguém possa chorar mais sobre os pecados do próximo do que sobre os seus… Mas o amor faz isso, não é deste mundo”.

Sta. Teresa d’Ávila fala com a mesma convicção:

“Há algumas pessoas às quais parece duro não rezar muito pela própria alma. Mas que melhor oração do que esta: rezar pela Igreja e pelos sacerdotes? Por ela teremos desconto das penas do purgatório. E o que ainda faltar, que falte. Que importa ficar eu no purgatório até o dia do juízo, se pela minha oração se salvar uma só alma?

Quanto mais tratando-se do proveito de muitas e da glória do Senhor” (Caminho 3,6)

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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