Um missionário da África conta: um negrinho pastoreava

o pequeno rebanho de cabras. Deitou-se na sombra

de uma árvore. Era dez da manhã, quando ouviu barulho

atrás de si no mato. Virou-se e viu os dois olhos faiscantes

do tigre que, num salto, chegou ao seu lado. Menino

pulou em pé, ajoelhou-se e rezou o Pai-nosso. O tigre

assistiu à reza, finda a qual, retornou ao mato.

Luís XIV da França, em desmedida ambição, tinha

reunido em guerra contra si todos os países da Europa.

Era em 1690. Então Nossa Senhora mandou um anjo para

pedir as orações de uma camponesa analfabeta, de

nome Bendita Rencournel, em Laus, nos Alpes Marítimos.

“Reza muito, minha irmã, pela paz, pois a guerra há de

durar ainda muito tempo. Vai haver logo uma grande batalha

na qual vai morrer muita gente. Se fizessem preces

públicas, a guerra logo acabaria; mas como o povo não

reza, ao contrário, fica cada vez mais ímpio, a guerra não

terminará tão cedo Que se façam preces pela paz; que o

rei não seja traído; que ele viva por muito tempo ainda.

Seus inimigos querem envenená-lo. Se o rei chegasse a

morrer, isto seria a grande desgraça para a França”. Até

na política, mete-se a oração.

Almas

Mas o campo ideal da prece de súplica é o mundo

espiritual. Em data mais recente (1883), escreve Lucie

Christine (Journal 140): “Na oração da noite pedi muito

angustiada pelas almas da França. Jesus garantiu-me

que não permitiria nenhuma delas se perdesse por falta

de recursos, assim como os pagãos que procuram sinceramente

a verdade, não perdem a Deus, apenas pela falta

de meios de O conhecer. Disse eu ‘Mas, meu Deus, vede

os perigos e as más influências nestes tempos perturbados!

Não será isto prejudicial à virtude e à salvação das

almas?’ Respondeu-me Jesus: ‘Daqueles que viverem

nestes tempos exigirei menos. E de mais a mais ignoras

como eu sei tirar o bem do mal?’.”

Em nosso século, Jesus diz a Gertrudes Maria

(1907): “Vem comigo. Vou percorrer o mundo todo. Bato à

porta de todos os corações. A maioria recusa entrada.

Vem, acompanha-me. Enquanto bato, tu rezas. Quando

sou rejeitado, tu me consolas”. “Fiz o que Jesus pediu. O

dia todo ficamos visitando o mundo inteiro: com Jesus,

tudo vai ligeiro”.

A mãe do Cardeal Vaughan de Westminster, convertida

pouco antes do casamento, fazia diariamente uma

hora de adoração diante do Santíssimo Sacramento por

seu lar, para seus treze filhos tornarem-se bons cristãos.

Resultado: todas as cinco filhas tornaram-se religiosas;

seis, dos oito rapazes, tornaram-se sacerdotes, e três deles

tornaram-se bispos (Westminster, Sidney, Sebastopol).

Paulina Reynolds entra no Carmelo aos cinqüenta e

sete anos, por ter sido preciso cuidar de sua mãe. E Jesus

lhe diz: “Serás carmelita por meus sacerdotes”.

A aldeia de Lu (Itália) ficou sem sacerdote, pela escassez

de clero. Um grupo de mulheres organizou, para

todas as tardes de domingo, uma hora santa pelas vocações;

aliás, logo freqüentada pela paróquia toda. Resultado:

em cinqüenta anos a cidadezinha produziu sacerdotes,

religiosos e religiosas num total de quinhentos.

É bem conhecido, nos anais da hagiografia, o caso

de Jacques Olier, fundador dos seminários sacerdotais na

França do século XVII. Converteu-se de uma vida banal e

medíocre a uma vida santa e apostólica, graças a Inês de

Langeac, dominicana, e às suas orações.

Teologia das Realidades Celestes: CSsR