Caso semelhante deu-se no século XIX, com a dominicana Clara Moes, destinada a converter Lacordaire e

a reerguer a Ordem Dominicana na França por meio da oração e da penitência.

A providência de Deus, sua intervenção na história é uma realidade que dirige os acontecimentos. Em geral, fica encoberta, mas de tempo em tempo aflora à superfície.

São Clemente Hofbauer faz romaria à Roma para tornar-se missionário redentorista. Seu companheiro desiste na última hora. Clemente ajoelha-se ao lado da sua cama, rezando terços a noite inteira pela vocação de seu amigo. Quando este acorda de manhã e vê o amigo ao lado rezando, está decidido a entregar-se também a Deus. Foi o braço forte de Clemente em seu vasto apostolado.

Famoso o caso do bispo Ketteler de Mogúncia (1850-1877). Estava na Universidade, no segundo ano de direito. Nas férias revelava-se apaixonado caçador. Certa vez, no retorno da caça de patos selvagens, não conseguia arrancar dos pés as botas molhadas. Encolerizado, pegou do punhal e cortou o couro em pedaços. Uma amostra do homem. Certa noite sonhou com uma freira; só viu o seu rosto e suas mãos postas e teve a impressão de ouvir: “Ela reza para você ficar padre”. Ketteler mudou de rumo e decidiu dedicar-se a Deus no sacerdócio.

Anos depois, como bispo, fez uma visita pastoral a um convento de religiosas. Ao distribuir a sagrada comunhão, a última a comungar deixou-lhe a impressão: “Você já viu esta religiosa, mas onde?” Durante o final da missa só pensou nessa religiosa, procurando lembrar-se. Enfim, surgiu da memória: “É aquela do sonho”. Após o café, pediu para conversar com toda a comunidade reunida na sala. Rapidamente correu os olhos: a tal não estava… “Mas estão todas as irmãs, todas mesmo?” A superiora também correu os olhos e confirmou: “Sim, todas; só fala a irmã ecônoma, que cuida do curral”, dando a entender que ela não fazia falta. O bispo quis vê-la. Foi chamada. Era ela. O bispo fez sua palestra geral e despediu-as todas.

Mas ainda quis falar com a irmã que cuidava do curral, a sós. Perguntou-lhe sobre sua oração. A irmãzinha toda confusa desculpou-se; não sabia rezar; mal sabia ler, não entendia os livros. Rezava seus Pai-nossos e Ave-Marias quando tratava dos animais na estrebaria. Oferecia, sim, orações e trabalhos pelas vocações… Ah! mais um informe: nascera no dia em que o estudante jurista tivera aquele sonho…

Nhá Chica, Francisca de Paula Isabel de Jesus, de Baependi MG (1808-1895), passou a vida rezando. Órfã de pai e mãe, aos dez anos consagrou-se a Deus pelo voto de virgindade. Vivia pobremente em seu rancho de sapé. Distribuía aos pobres do lugar todas as esmolas que recebia. Famosa pelas graças que alcançava em suas orações, declarou: “Isto acontece porque rezo a Deus pelos merecimentos de sua divina Mãe, Maria Santíssima e ela me atende…” Interrogada sobre as profecias, respondeu sorrindo: “Não sou sibila. Nunca fiz milagres. Rezo à Nossa Senhora que me ouve e me responde”.

Um missionário do Congo sentiu que a obra da conversão, após um longo e penoso ano de trabalho, não progredira quase nada. Lembrou-se das crianças de sua terra natal. Escreveu-lhes pedindo que o sustentassem com suas orações infantis O resultado foi prodigioso. Aldeias bastante renitentes pediram o sacerdote e o catequista, porque todos queriam tornar-se cristãos.

 Teologia das Realidades Celestes: padre João Beting CSsR

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