A ORAÇÃO DO REINO

A oração é invenção cristã. O pagão de todos os cultos, tempos e regiões contentam-se com breves invocações, à maneira de nossas jaculatórias, ou repete mecanicamente a prece-da-flor-do-loto. As meditações tibetanas não se dirigem a Deus: são auto-hipnoses. Rezar para o cristão é, ou deve ser, amar a Deus e pedir seu auxílio.

Rezar é reconhecer que Deus é tudo, o único Tudo.

Rezar é o fim da criatura. A primeira entre todas as atividades humanas é: adorar e amar a Deus. Imaginar que exista ação mais importante é um erro.

O mundo sorri desta preferência pela oração. Não se deve rezar, mas agir! A situação chegou à calamidade pública. Não há tempo a perder! É uma lástima que tantas forças vivas restam inativas, encerradas nos mosteiros contemplativos! Acusa-se, até, certos grupos de leigos piedosos de se agarrar à sua vidinha interior, em vez de se lançar, com ímpeto, na luta apostólica. A oração afigura-se, aos super-ativos, como uma evasão, como medo diante dos compromissos.

Há possíveis deformações. Mas nem todos os soldados da retaguarda são poltrões a fugir do perigo. Donoso Cortés é de outra opinião: “Eu creio que aqueles que rezam fazem mais pelo mundo que aqueles que lutam nas batalhas. E se o mundo vai de mal a pior, é porque há mais batalhas do que orações. Se pudéssemos penetrar nos segredos de Deus e da história, tenho certeza ficaríamos cheios de admiração perante os efeitos prodigiosos da oração, mesmo em assuntos humanos. Eu creio que se houvesse ainda que uma só hora, de um só dia, em que a terra não enviasse nenhuma prece ao céu, esse dia e essa hora seriam o último dia e a última hora do universo”.

Idênticas afirmações no século passado.

“O espírito apostólico é antes de tudo teocêntrico… convergindo para a Santíssima Trindade… Depois, de modo secundário e subsidiário, fixa-se sobre a criatura”  (Thils, 1949)

“À contemplação cabe o primeiro lugar, por direito, e deve sê-lo de fato. Ao homem se chega através de Deus.

O apostolado não surge da necessidade das almas mas do amor de Deus” (CARDEAL SUHARD, Essor, 1948)

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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