O Reino

Toda a cristandade está inscrita no apostolado da oração, uma vez que, desde Pedro e Paulo, rezamos diariamente:

“Venha a nós o vosso reino”.

Vivemos na união mística com Cristo. Cada membro deste organismo místico tem o poder de intercessão por seu próximo. Foi o apostolado de Maria Santíssima e de inúmeras almas anônimas. O apostolado da oração não é inferior, em valor e eficiência, ao apostolado da palavra, pois Jesus lhe dedicou trinta anos, e ao apostolado público somente três anos. E ainda mais: começou sua vida pública com quarenta dias de jejum e de oração contínua.

E depois, passou noites inteiras em oração. A oração atrai as graças para o apostolado.

Os doze apóstolos entenderam tão bem a lição do Mestre que nos deixaram o precioso princípio de Atos 6,4: “Não é justo deixarmos de lado a pregação da palavra de Deus, para servir as mesas… Mas devemos continuar a dedicar-nos à oração e ao ministério da palavra”. Deste modo, os Doze ofereciam junto com a mensagem, a graça de Deus para que essa, fosse aceita. Lição para os seus sucessores no apostolado. Não fique esquecido pelos cristãos hodiernos, o mandato de Paulo (1 Tm 2, 1-4):

“Insisto que se façam preces… por todos os homens… porque isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador, que quer que todos se salvem”.

Escreveu São Tiago (5,16): “Grande poder tem a oração do justo”.

Eis a tarefa da cristandade toda. Rezar, rezar pelo reino de Deus. Assim, ficamos associados à prece do Sumo Sacerdote Jesus que está sentado à direita do Pai, rezando sempre por nós (Rm 8,34 e Hb 7,25). Escreve São João (1 Jo 2,1): “Temos um advogado junto ao Pai, Jesus”. Jesus exerce essa tarefa de intercessão todos os dias, na Santa Missa, na grande prece de Filho ao Pai, e a ela quer associar todo o povo de Deus. Junto com o Filho de Deus, rezamos a prece final: o Pai-nosso. E rezamos no plural: todos pedindo por todos.

Também à oração comunitária, não litúrgica, prometeu Jesus sua assistência, ou melhor, sua presidência.

“Onde dois ou mais estão reunidos em meu nome, aí estou em meio deles… e tudo quanto pedirem, lhes será dado pelo Pai” (Mt 18,19).

Essa é a razão de ser das ordens contemplativas. A união faz a força, diz o ditado. A união com Cristo, diz o cristão.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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